Diário Local
Economia

Morgan Stanley adota estratégia defensiva para ações brasileiras antes de eleições

Banco revisa preferências setoriais e busca equilíbrio entre exportadoras e empresas do mercado interno devido a incertezas eleitorais.

Por Redação Diário Local

O Morgan Stanley afirmou estar adotando uma postura mais defensiva em relação ao mercado acionário brasileiro. A mudança de estratégia ocorre diante da aproximação das eleições presidenciais de outubro e do aumento das incertezas relacionadas ao cenário econômico e político no país.

Em relatório divulgado pela instituição, o banco indicou que o ambiente para 2027 se tornou mais desafiador, o que motivou uma revisão parcial de suas preferências setoriais. A assessoria financeira busca agora equilibrar a carteira por meio de uma estratégia de “barbell” (barra com pesos nos dois lados).

Essa abordagem visa manter exposição tanto a empresas com receitas em dólar, que podem se beneficiar da continuidade das políticas atuais, quanto a companhias ligadas ao mercado doméstico, que poderiam ter melhor desempenho caso ocorra uma mudança de orientação política após o processo eleitoral.

Como o banco definiu as novas preferências?

O banco avalia que o perfil de risco para os setores mais expostos ao mercado interno tornou-se mais assimétrico, com a perda de força do crescimento e o aumento da probabilidade de continuidade das políticas vigentes. Por isso, o cenário macroeconômico brasileiro tende a se tornar mais complexo nos próximos meses.

A combinação de atividade econômica mais fraca, preocupações com a trajetória fiscal e incerteza sobre a direção das políticas econômicas amplia os riscos para os lucros corporativos. Para lidar com isso, o Morgan Stanley mantém recomendações de sobrepeso (overweight) para os setores de serviços financeiros, aeroespacial, agricultura e energia.

Em contrapartida, a instituição mantém uma visão de menos peso (underweight) para os segmentos de transporte, bebidas, bancos e varejo. A avaliação é que esses setores domésticos podem enfrentar pressões maiores em um contexto de desaceleração econômica.

Quais foram os ajustes na carteira?

Entre as alterações promovidas, o Morgan Stanley aumentou a exposição ao segmento de transportes e industriais por meio da WEG. Ao mesmo tempo, reduziu parte de sua posição em serviços financeiros, como a B3, para diminuir riscos antes das eleições.

No setor de papel e celulose, o banco diminuiu sua exposição ao retirar a Klabin de sua carteira, concentrando a aposta exclusivamente na Suzano. Apesar da redução parcial, o setor de serviços financeiros continua sendo a principal área de sobrepeso da instituição.

O relatório destaca ainda empresas como XP e B3 (serviços financeiros), Axia (energia), Nubank e Mercado Livre (digitalização), além de JBS e SLC Agrícola (setor agrícola) como nomes que podem apresentar maior resiliência durante o período de incerteza.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.