Diário Local
Economia

Trump pode ter quatro chances de remodelar comando do Federal Reserve nos EUA

Esforços do presidente americano para influenciar política monetária enfrentam barreiras judiciais e no Senado.

Por Redação Diário Local

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem até quatro oportunidades para tentar remodelar o comando do Federal Reserve (Fed), o banco central do país. Embora tentativas anteriores de destituir autoridades tenham sido barradas pela Suprema Corte e pela resistência no Senado, o governo ainda possui janelas para buscar maior influência sobre a política monetária norte-americana.

O cenário atual é marcado pelo embate entre o Executivo e a autonomia técnica do conselho de governadores. Trump tem manifestado críticas à composição da instituição, chegando a classificar o conselho como "talvez um pouco hostil" e alegando que o grupo atrapalha a atuação do atual chair do Fed, Kevin Warsh.

Um dos principais pontos de tensão jurídica envolve a diretora do Fed, Lisa Cook, nomeada em 2022. A Suprema Corte dos EUA decidiu anteriormente que o presidente não pode destituir uma diretora sem justa causa fundamentada em provas, o que manteve Cook no cargo, mas permitiu a continuidade do processo em tribunais federais.

O governo argumenta que uma declaração incorreta em um documento hipotecário feita por Cook há anos constituiria motivo para a demissão. A Casa Branca estabeleceu um prazo até esta quarta-feira (26) para que a diretora responda a uma carta com argumentos sobre a sua destituição, medida que Cook deve contestar judicialmente.

Vagas e mandatos no banco central

A próxima vaga de indicação direta de Trump deve surgir apenas com o fim do mandato de Jerome Powell como chair do Fed, no início de 2028. Powell, que lidera a instituição há mais de oito anos, optou por continuar atuando no conselho de governadores mesmo após o fim de sua liderança principal.

Outra decisão estratégica será tomada pelo vice-chair Philip Jefferson no próximo ano. Jefferson deverá definir se permanece como diretor do conselho, mandato que possui até 2036, ou se deixa o cargo. Caso ele decida sair, abre-se espaço para novos nomes indicados pelo governo para o conselho.

Se Jefferson optar por permanecer, Trump terá um grupo restrito de diretores para escolher novos nomes, como Michelle Bowman ou Christopher Waller. A movimentação de Jefferson é considerada fundamental para as expectativas da Casa Branca de ampliar a presença de seus indicados no comando da política monetária.

Além das vagas no conselho, há o cargo de presidente do Fed de Atlanta, que permanece vago desde 28 de fevereiro. O processo de seleção para a posição foi adiado para que Kevin Warsh possa avaliar os candidatos finalistas após assumir formalmente o comando da instituição.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.