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Geopolítica

Ocidente tenta frear ascensão da China através de tarifas e proteção de indústrias

EUA e Europa adotam barreiras comerciais para proteger setores estratégicos, enquanto China avança em tecnologia e inovação industrial.

Por Redação Diário Local

O Ocidente busca conter a crescente influência econômica da China por meio de medidas de proteção industrial e tarifas comerciais. Enquanto Europa e Estados Unidos tentam mitigar a perda de espaço no mercado global, a China consolida sua posição como a segunda maior potência econômica do mundo, utilizando tecnologia própria e infraestrutura avançada.

O processo de ascensão chinesa começou com a política de Reforma e Abertura, iniciada em dezembro de 1978, que atraiu capital estrangeiro de empresas europeias e norte-americanas. Ao longo de três décadas, a China utilizou parcerias e transferência de tecnologia para transformar sua base industrial e passar de fabricante para desenvolvedora de tecnologias.

Como o Ocidente reage à ascensão chinesa?

Os Estados Unidos e a União Europeia têm utilizado tarifas comerciais para tentar blindar seus setores produtivos. No entanto, a capacidade de resposta varia entre as regiões. Os EUA mantêm uma posição de força ao serem os maiores investidores mundiais em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), destinando 3,4% de seu Produto Interno Bruto (PIB) ao setor, contra 2,6% investidos pela China, segundo dados do Our World in Data.

A União Europeia enfrenta um cenário mais complexo devido à estagnação de seus investimentos em inovação. Entre 2013 e 2023, o percentual do PIB do bloco investido em P&D cresceu apenas 0,2 ponto percentual. Além disso, países europeus têm adotado a nacionalização de empresas estratégicas, como casos vistos na British Steel e na Nexperia, alegando motivos de segurança nacional.

Segundo Wang Dong, diretor executivo do Instituto para a Cooperação e Compreensão Global da Universidade de Pequim, barreiras comerciais são soluções defensivas de curto prazo que podem elevar custos para fabricantes europeus e reduzir opções para os consumidores.

O avanço tecnológico e o setor automotivo

A transição da China de mera montadora para líder tecnológica é exemplificada pelo setor de veículos. Em 2000, a produção chinesa de automóveis era de 2,1 milhões de unidades. Com o foco em tendências como a eletrificação, as marcas chinesas conseguiram ultrapassar montadoras japonesas em volume de vendas, encerrando uma hegemonia de 25 anos.

Para Wang Dong, a ascensão industrial não é fruto apenas de benefícios de abertura global, mas de décadas de construção de infraestrutura e inovação contínua. O especialista afirma que a expertise estrangeira foi combinada com a força de trabalho e o mercado interno chinês para criar modelos próprios e inovadores.

Acusações de excesso de capacidade

No debate internacional, o Ocidente acusa a China de gerar um "excesso de capacidade" por meio de subsídios, o que permitiria o escoamento de produtos a preços baixos no exterior. Em documento publicado nesta terça-feira (28), o Ministério do Comércio da China rebateu a acusação, afirmando que não existe vínculo entre os subsídios e o volume de produção.

A produtividade chinesa cresceu mais rápido que sua demanda interna. Em 2024, o consumo das famílias na China representou 40% do PIB, patamar abaixo da média global. Para comparação, o consumo chega a 68% nos EUA e varia entre 53% e 60% em países como Alemanha, França e Reino Unido, segundo o Banco Mundial.

Como resposta a esse desequilíbrio, a China implementou em 2020 a "estratégia de dupla circulação". O plano de Xi Jinping visa tornar a economia chinesa mais autossustentável e reduzir a exposição a choques do mercado internacional através do estímulo à demanda interna.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.