Ouro atinge maior valor desde maio e supera marca de US$ 4.700 por onça-troy
Aumento na busca pelo metal precioso foi impulsionado por tensões no Oriente Médio e incertezas sobre a posição fiscal dos Estados Unidos.
Por Redação Diário Local
O preço do ouro superou a marca de US$ 4.700 por onça-troy nesta segunda-feira (24), atingindo o maior nível observado desde maio. A alta do metal precioso foi impulsionada pela busca por segurança diante da escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos, além de incertezas sobre a posição fiscal da maior economia do mundo.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato de ouro para vencimento em dezembro encerrou o dia com alta de 0,36%, cotado a US$ 4.697,80 por onça-troy. O movimento reflete o desconforto dos investidores com o cenário geopolítico e as perspectivas de gastos nos Estados Unidos.
O avanço do metal ocorre em um momento de expectativa por indicadores econômicos cruciais. O mercado aguarda a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), que é o principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), previsto para esta quarta-feira (26).
Outro ponto de atenção para os investidores é o Simpósio de Jackson Hole. Na próxima sexta-feira (28), o mercado monitora o discurso de estreia de Kevin Warsh, que deve influenciar as percepções sobre a política monetária.
Impacto do Tesouro americano no câmbio
A valorização do ouro também é sustentada por movimentos recentes envolvendo o dólar. Na semana passada, o metal registrou alta superior a 5% após o anúncio de um plano de suporte por meio da recompra de títulos pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o que empurrou a moeda americana para mínimas de vários meses.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira (24) que as operações de recompra devem ser retomadas em setembro. A estratégia visa dar suporte ao mercado de títulos públicos americanos.
Fontes do governo americano indicam que o Tesouro pode utilizar sua Conta Geral, que soma quase US$ 1 trilhão, para financiar o aumento das compras de títulos. O uso desse recurso é visto como uma ferramenta para sustentar a política fiscal e de dívida do país.
Analistas observam que a tensão entre investidores de títulos e instituições tem provocado um movimento de depreciação do dólar simultâneo ao ganho de força do ouro. O cenário atual guarda semelhanças com períodos anteriores de incerteza tarifária e instabilidade econômica nos Estados Unidos.
