Patrimônio de fundos multimercados recua para R$ 1,6 trilhão após fuga de investidores
Rentabilidade abaixo do CDI e alta dos juros levam investidores a buscarem segurança na renda fixa, segundo dados da Anbima
Por Redação Diário Local
O patrimônio dos fundos multimercados no Brasil recuou de quase R$ 2 trilhões, registrado em 2019, para R$ 1,6 trilhão. A queda reflete a saída de investidores que buscam alternativas de maior rentabilidade e segurança diante do cenário de juros elevados.
Segundo dados da Anbima, o movimento de debandada afetou severamente as gestoras. Cerca de 90 empresas do setor perderam mais de 50% dos valores que administravam em fundos multimercados durante o período de retração.
Por que os investidores estão saindo dos multimercados?
A principal causa da migração de capital é a rentabilidade insuficiente desses fundos quando comparada ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Até agosto deste ano (2026), a rentabilidade média dos multimercados foi de 5,7%, enquanto o CDI acumulou 9,3%.
Um levantamento da consultoria Economatica, realizado com 70 fundos, apontou que apenas cinco conseguiram render acima do CDI no primeiro semestre. A alta nos juros tornou instrumentos de renda fixa, como títulos públicos, LCIs, LCAs e debêntures de infraestrutura, opções mais previsíveis e de baixo risco.
Enquanto os multimercados enfrentavam resgates bilionários, a renda fixa atuou como um porto seguro, somando R$ 59,4 bilhões em entradas líquidas no primeiro semestre de 2025.
O impacto nas grandes gestoras
A mudança no perfil do investidor forçou grandes empresas do setor a abandonarem ou reduzirem suas operações em fundos multimercados. Em agosto deste ano (2026), a Gávea Investimentos encerrou suas atividades na gestão de fundos para terceiros após 23 anos de atuação.
Os cinco fundos administrados pela Gávea, que somavam R$ 20 bilhões em ativos, foram transferidos para a Bradesco Asset. No mesmo mês, a TAG Investimentos, que gerencia R$ 18 bilhões, também zerou sua alocação nesse tipo de fundo.
O setor também registra quedas acentuadas no patrimônio de gestoras que mantiveram as operações. A Verde Asset, por exemplo, viu seu patrimônio cair de R$ 59,3 bilhões em julho de 2021 para R$ 12,7 bilhões em julho de 2026, uma redução de 78,6% conforme o ranking da Anbima.
