Conflito com o Irã faz países do Golfo investirem em rotas alternativas para exportar petróleo
Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos aceleram projetos de oleodutos para reduzir dependência do Estreito de Ormuz e ampliar segurança.
Por Redação Diário Local
A guerra envolvendo o Irã está levando os grandes produtores de petróleo do Golfo Pérsico a reformularem suas estratégias de exportação. O foco é reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, principal rota de saída da região, por meio de investimentos em oleodutos, terminais e áreas de armazenamento que permitam o transporte de óleo sem a passagem pelo estreito.
Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque estão acelerando projetos bilionários para criar essas alternativas. Embora as novas estruturas possam custar mais caro e serem menos eficientes, governos e empresas consideram a medida necessária diante do aumento dos riscos de conflitos na região.
Por que o Estreito de Ormuz tornou-se um risco?
O Estreito de Ormuz é a passagem que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é essencial para levar o petróleo da região aos mercados internacionais. Antes do início dos ataques militares contra o Irã, em 28 de fevereiro, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto passavam pelo estreito diariamente.
Com o agravamento do conflito, o fluxo foi alterado por bloqueios, minas marítimas e ataques de mísseis. De acordo com dados da empresa Kpler, as exportações pelo estreito caíram para cerca de 3,7 milhões de barris por dia na semana passada. Além disso, o aumento nos custos de seguros para navios e ataques de drones dificultam a navegação normal.
Planos de expansão na Arábia Saudita e Emirados Árabes
Nos Emirados Árabes Unidos, equipes trabalham em regime de 24 horas na construção de um segundo oleoduto na cidade portuária de Fujairah. O projeto visa dobrar a capacidade da rota alternativa para 3,6 milhões de barris por dia, permitindo que o petróleo de Abu Dhabi chegue aos navios sem atravessar o estreito.
A estatal de energia Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) também anunciou planos para investir US$ 8,2 bilhões na expansão de negócios de gás natural. Segundo o diretor financeiro da companhia, Peter van Driel, a construção de uma instalação para exportar gás natural liquefeito na costa leste dos Emirados permitiria evitar a passagem pelo Estreito de Ormuz.
Na Arábia Saudita, a estatal Saudi Aramco expande o Oleoduto Leste-Oeste, que percorre 1.201 quilômetros até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho. A estrutura já redireciona cerca de 7 milhões de barris por dia e as autoridades trabalham para aumentar essa capacidade em até 2 milhões de barris adicionais.
Outras alternativas e o uso de estoques
O Kuwait negocia com vizinhos a construção de um oleoduto para ligar seus campos a portos no Mar Vermelho ou em Omã. No Iraque, há planos para reconstruir um oleoduto para o Mediterrâneo e retomar projetos de transporte até o porto de Aqaba, na Jordânia, com capacidade para 1 milhão de barris por dia.
Como camada extra de proteção, as nações do Golfo estão ampliando a capacidade de armazenamento de petróleo em locais distantes, como Coreia do Sul, Japão e Índia. A estratégia serve como um seguro: se o Estreito de Ormuz for fechado, o produto já estará armazenado fora da zona de conflito para atender aos compradores.
