Gestão fiscal está 'dando errado' e pode levar país à recessão, avalia economista
Economista-chefe da ARX Investimentos afirma que será necessário um choque ou PEC para reequilibrar as contas públicas.
Por Redação Diário Local
A condução da política fiscal no Brasil precisa de um choque estrutural, possivelmente por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), para evitar uma recessão econômica. A avaliação foi feita por Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos e ex-diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, durante painel na Expert XP realizada nesta sexta-feira (24).
Segundo o economista, os erros na gestão das contas públicas são visíveis e colocam o país em uma trajetória de risco. Barros alertou para a possibilidade de um "fiscal cliff" (abismo fiscal), cenário que combina um aumento acelerado de impostos com cortes repentinos em gastos públicos.
Para o especialista, a situação atual é matematicamente insustentável. Ele comparou o momento econômico ao naufrágio do Titanic, afirmando que a conta chegará para o país se as medidas atuais não forem revertidas.
Os cálculos apresentados por Barros indicam que, para estabilizar a dívida pública — que hoje se aproxima de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) —, o governo precisaria de um superávit de cerca de quatro pontos percentuais. Esse valor corresponde a aproximadamente R$ 500 bilhões.
O economista criticou a insuficiência dos ajustes propostos até o momento. Para ele, o debate sobre a redução do teto de crescimento de 2,5% para 1,5% não resolve a magnitude do problema financeiro enfrentado pelo governo.
Quais medidas podem reequilibrar as contas?
Barros defende que uma eventual PEC deveria focar em temas estruturantes, como o ajuste nas vinculações de recursos para as áreas de saúde e educação. Além disso, ele sugeriu a revisão de sobreposições encontradas em programas sociais.
O painel também contou com a análise de Bruno Funchal, ex-secretário do Tesouro Nacional e ex-secretário de Fazenda do Espírito Santo. Funchal destacou que, embora o desenho do novo arcabouço fiscal seja moderno e alinhado a modelos internacionais, o principal entrave é a falta de vontade política para cumprir as regras.
O ex-secretário pontuou que a entrega de déficits primários relevantes, mesmo quando as metas são atingidas, prejudica a credibilidade do país. Esse comportamento contribui para a manutenção da taxa de juros em patamares elevados e para a elevação do prêmio de risco.
Para Funchal, o cumprimento do limite de despesas é essencial para ancorar as expectativas do mercado. Sem isso, o endividamento continua em trajetória de piora, apesar do aumento da carga tributária.
A solução definitiva, segundo o ex-secretário do Tesouro, passaria pelo enfrentamento de R$ 2,5 trilhões em despesas obrigatórias. O processo exigiria um entendimento político da liderança para comunicar a urgência das medidas de ajuste à população.
