Diário Local
Espírito Santo

Terminal de Vila Velha busca licenciamento para virar porto de desmontagem de plataformas

Projeto do Terminal Nova Holanda espera concluir licenciamento ambiental ainda este ano para focar no mercado de descomissionamento.

Por Redação Diário Local

O Terminal Nova Holanda, em Vila Velha, está em processo de licenciamento ambiental para se tornar o primeiro porto do Espírito Santo dedicado ao descomissionamento de plataformas de petróleo. A expectativa dos sócios do Grupo Arara Azul, proprietários do terreno e do projeto, é de que o processo de licenciamento avance ainda este ano.

A área do empreendimento está localizada na margem da baía de Vitória, próxima à Eames, e é alvo de estudos para uso portuário há décadas. Antes da formalização do atual modelo em 2024, o local foi estudado para projetos de importação de combustível e ponto de apoio a operações offshore, mas nenhuma dessas iniciativas foi concluída.

A escolha pelo descomissionamento acompanha o ritmo do mercado global. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) estima que, até 2036, serão desmobilizadas 38 plataformas e abandonados 523 poços em definitivo. Para o ciclo de 2026 a 2030, a Petrobras já reservou US$ 9,7 bilhões para essas atividades.

O Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (Cdmec) calcula que o setor pode gerar uma janela de R$ 4,5 bilhões para o Espírito Santo nos próximos 15 anos. No entanto, a falta de infraestrutura local faz com que, atualmente, as unidades sigam para o Rio de Janeiro, para a região Sul ou para o exterior, o que retira do estado a geração de impostos, contratos e empregos.

Para organizar a defesa do setor, foi criada a Associação Brasileira de Descomissionamento Sustentável, articulada por Hugo Marques, superintendente do projeto Nova Holanda. A entidade reúne 14 empresas nacionais e atua especialmente contra o modelo de navios estrangeiros que realizam o desmonte em alto-mar, sem atracar em portos brasileiros, o que impede a permanência de valor econômico no país.

O terminal foi dimensionado para operar com duas docas em posição oblíqua ao canal, o que reduz o esforço de atracação. A doca A terá 345 metros de comprimento e poderá receber unidades de até 90 mil toneladas, atendendo à maior parte da frota de navios-plataforma (FPSOs) em operação no Brasil. A doca B terá 255 metros e limite de 55 mil toneladas.

Em termos de capacidade, o terminal pode operar até dois FPSOs simultaneamente ou até seis plataformas convencionais de menor porte. A área operacional soma 94 mil metros quadrados, mas o projeto prevê outros 155 mil metros quadrados externos que podem ser utilizados para estocagem de materiais, caso haja demanda.

O modelo de operação previsto é o de "cutting and export" (corte e exportação), no qual a plataforma atraca, é recortada no terminal e o material segue para o exterior, tendo os Estados Unidos como provável destino. Em setembro, o grupo realizará uma missão técnica na Louisiana, no Golfo do México, para buscar parâmetros comparativos com o mercado norte-americano.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.