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Entidades de produtores de etanol repudiam fala de Flávio Bolsonaro sobre revisão do E32

Seis entidades do setor de cana e milho publicaram nota contra declarações do senador sobre a mistura de 32% de etanol na gasolina

Por Redação Diário Local

Entidades que representam os produtores de etanol e de cana-de-açúcar divulgaram nesta sexta-feira (21) uma nota repudiando declarações do senador Flávio Bolsonaro sobre a revisão da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina, o E32. O congressista e candidato à Presidência afirmou, na quinta-feira (20), que pretende rediscutir a medida caso seja eleito.

Na nota técnica, as organizações criticaram a comparação feita pelo senador entre o aumento da mistura e a "reduflação" — termo usado para quando produtos diminuem de tamanho ou quantidade sem redução de preço. As entidades afirmaram que a fala desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado fundamentada em programas como o Proálcool e o RenovaBio.

A medida de elevar o teor de etanol de 30% para 32% foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 14 de julho e passou a vigorar em agosto. A regra permite que o Executivo fixe o teor de etanol entre 22% e 35%, conforme autoriza a Lei do Combustível do Futuro, de 2024.

O que dizem os produtores?

As instituições signatárias da nota — Unica, Unem, Bioenergia Brasil, Feplana, Unida e Orplana — defendem que o etanol possui elevada octanagem e contribui para o desempenho dos veículos. Além disso, apontam que a utilização do biocombustível estimula a geração de empregos e reduz a dependência de combustíveis importados pelo Brasil.

Segundo o grupo, a implementação do E32 foi precedida por diálogos entre o governo, produtores e representantes da indústria automotiva. Eles também destacaram que a Lei do Combustível do Futuro, que dá base legal ao aumento, passou pelo Senado Federal com a anuência do senador Flávio Bolsonaro.

Impactos nos motores e segurança técnica

Durante transmissão ao vivo na quinta-feira (20), o senador Flávio Bolsonaro expressou preocupação com possíveis danos aos motores e afirmou que quem paga por gasolina deveria receber gasolina. Ele sugeriu que a mistura atual prejudica o consumidor, comparando a situação a embalagens de alimentos que trazem menos unidades pelo mesmo custo.

O setor automotivo, incluindo fabricantes e postos de combustíveis, tem manifestado preocupação com o risco à durabilidade de motores, especialmente em veículos movidos exclusivamente a gasolina. O foco das críticas são cerca de 4,7 milhões de veículos, como carros e motocicletas antigos ou de alta performance.

Para contrapor as críticas, as entidades citaram estudos do Instituto Mauá de Tecnologia, que testou 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas. Os ensaios indicaram plena viabilidade técnica das misturas E27, E30 e E32. O Ministério de Minas e Energia (MME) também sustenta que não são esperados impactos relevantes nos sistemas de combustível com a composição atual.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.