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Desigualdade

Renda e raça aumentam risco de desastres ambientais, aponta estudo sobre desigualdade urbana

Pesquisa revela que áreas de risco em São Paulo concentram população negra e de baixa renda, evidenciando o racismo ambiental

Por Redação Diário Local

A desigualdade de renda e de raça amplia a vulnerabilidade de parte da população aos impactos da crise climática. Um estudo publicado pelo Instituto Pólis em novembro de 2025 sobre cidades como São Paulo, Belém, Recife e Porto Alegre revela que o risco de desastres ambientais não é distribuído de forma igualitária.

O levantamento utilizou dados do Censo Demográfico de 2022 do IBGE e da plataforma UrbVerde para cruzar indicadores de saneamento, infraestrutura urbana e renda. Em São Paulo, os dados mostram um abismo socioeconômico entre os territórios.

Nas áreas predominantemente brancas da capital paulista, a renda média mensal do responsável pelo domicílio é de R$ 11,4 mil. Já nas áreas classificadas como de risco, esse valor cai para R$ 2,1 mil. A pesquisa também identificou que 61% dos moradores dessas zonas vulneráveis são negros.

O que é racismo ambiental?

O conceito de racismo ambiental refere-se à distribuição desigual dos danos ambientais entre diferentes grupos sociais. O fenômeno ocorre quando territórios habitados majoritariamente por populações negras, indígenas, quilombolas e de baixa renda concentram problemas como enchentes, deslizamentos, poluição e ausência de saneamento básico.

Segundo a diretora-executiva do Instituto Pólis, Cássia Caneca, a exposição à crise climática não depende apenas das características naturais de um local. O cenário é influenciado pela forma como o poder público distribui investimentos e infraestrutura urbana, como drenagem e arborização.

A desigualdade é agravada pela intensificação de eventos climáticos extremos. Fenômenos como o El Niño podem aumentar o volume de chuvas, elevando os riscos para quem já vive em áreas com menor suporte de serviços públicos.

Impactos na trajetória de vida

A realidade descrita pelo estudo é refletida em histórias de moradores que enfrentam ciclos de perda. Em Guarulhos, no bairro Parque Santos Dumont, o comunicador e ativista Mateus Fernandes relata que as enchentes interromperam seus estudos e trabalho durante a juventude.

Já na Zona Leste de São Paulo, no Jardim Pantanal, a moradora Arlete Santos convive com o risco de alagamentos há 27 anos. Em 2009, ela perdeu uma fábrica de calçados e móveis avaliados em mais de R$ 60 mil após o nível da água atingir a altura do peito em sua residência.

Para especialistas, a mitigação desses riscos exige mudanças estruturais na organização das cidades. Isso inclui a urbanização de favelas, a recuperação de rios e córregos, a universalização do saneamento e o fortalecimento do planejamento municipal para identificar áreas de risco.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.