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Economia

Redução da jornada de trabalho pode elevar custos de empresas em 7%, aponta estudo

Mudança de 44 para 40 horas semanais pode impactar 23,4 milhões de empregos formais e custar mais caro para o setor de serviços.

Por Redação Diário Local

A redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salários, pode elevar em quase 7% os custos totais de empresas com uso intensivo de mão de obra. A estimativa faz parte de um levantamento da Íntegra Associados que aponta que a mudança de jornada afetaria cerca de 23,4 milhões de empregos formais no Brasil.

Os dados representam 81,2% dos vínculos celetistas analisados no estudo, que considerou contratos ativos em dezembro de 2025 em estabelecimentos com pelo menos 20 empregados. A base de dados utilizou informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Central.

A maior concentração de impacto ocorre nos contratos de 44 horas semanais, que somam 76,1% dos vínculos analisados. Com a manutenção da remuneração, a passagem para o regime de 40 horas representa um aumento de 10% no custo de cada hora trabalhada, embora o efeito no custo total dependa do peso da folha de pagamento na estrutura de cada atividade.

Quais setores serão mais afetados?

A pressão sobre os custos será desigual entre as atividades econômicas. O impacto é maior em setores onde as despesas com pessoal compõem uma fatia relevante das despesas totais. No agenciamento e seleção de mão de obra, por exemplo, a folha de pagamento responde por 81,34% dos custos, o que levaria a uma alta estimada de 6,85% nos gastos das empresas.

Outros setores com forte impacto incluem a vigilância e segurança, com elevação de 6,83%, e serviços para edifícios e atividades paisagísticas, com alta de 6,27%. Atividades jurídicas e contábeis também figuram na lista, com previsão de aumento de 4,70% nos custos, seguidas por correios e serviços de entrega (4,45%) e serviços de escritório (4,11%).

Em contrapartida, 19 setores devem apresentar elevação inferior a 1% no custo total. Isso ocorre porque, na indústria e no comércio, a folha de pagamento tem um peso proporcionalmente menor no conjunto das despesas. Na fabricação de alimentos, por exemplo, embora o custo da hora trabalhada suba 9,82%, o impacto no custo total da empresa ficaria em apenas 0,80%.

Limitações e metodologia

O levantamento foca exclusivamente na mudança da jornada de 44 para 40 horas e não consegue mensurar separadamente o impacto do fim da escala 6x1. Isso acontece porque as bases oficiais, como a RAIS, não identificam a escala de trabalho efetivamente cumprida pelos funcionários.

A Íntegra Associados também esclarece que o estudo não considera horas extras ou possíveis ganhos de produtividade e redução de absenteísmo que poderiam compensar a mudança. Além disso, a metodologia pode superestimar o custo médio por considerar a jornada prevista em contrato e pressupor a manutenção integral dos salários, sem considerar possíveis mudanças na organização da produção.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.