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Economia

Itaipu encerra 2025 com US$ 1,67 bilhão em caixa e especialistas pedem redução na conta de luz

Especialistas afirmam que saldo acumulado pela usina poderia reduzir em cerca de 4% as tarifas dos consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Por Redação Diário Local

A Itaipu Binacional encerrou o ano de 2025 com um saldo de US$ 1,67 bilhão em caixa, o que representa um crescimento de quase 68% em relação ao encerramento de 2024. O montante acumulado levanta debates entre especialistas sobre a possibilidade de redução nas tarifas de energia para os consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

No final de 2024, a disponibilidade financeira da binacional era de US$ 997 milhões. Ao longo de 2025, o saldo cresceu US$ 674,4 milhões, totalizando o valor atual. O aumento ocorre em um período em que a dívida utilizada para a construção da usina já foi totalmente quitada, em 2023.

Por que especialistas pedem redução na tarifa?

Para a diretora técnica da consultoria PSR, Angela Gomes, o volume de recursos acumulados poderia ser utilizado para baixar os custos para cerca de 130 milhões de consumidores. Segundo a especialista, a devolução do excedente de caixa de 2024 e 2025 poderia reduzir as tarifas em uma média de 4%.

Gomes afirma que o valor cobrado por quilowatt (kW) está acima do custo estimado da usina após o fim da dívida. Ela explica que o acúmulo é reflexo de um acordo que manteve a tarifa fixa entre 2024 e 2026 para os consumidores brasileiros, estabelecendo o custo em US$ 16,7 por kW, enquanto o estimado seria próximo a US$ 10 por kW.

Richard Hochstetler, diretor do Instituto Acende Brasil, avalia que o crescimento do caixa indica que o orçamento da Itaipu está sendo formulado com margem excessiva. Em 2025, o custo de operação, manutenção e administração da usina foi de US$ 761 milhões, valor inferior ao saldo disponível nas contas.

O que diz a Itaipu sobre o saldo em caixa

A Itaipu Binacional contesta a interpretação de que os valores seriam retidos de forma indevida. A empresa afirma que o dinheiro está vinculado a despesas e obrigações previstas no orçamento aprovado para o triênio 2024-2026. A companhia ressalta que os valores de 2024 e 2025 não podem ser somados separadamente, pois o saldo de 2024 já está incluído no total de 2025.

A empresa também atribui o volume de recursos ao acordo firmado entre Brasil e Paraguai em abril de 2024, que manteve o custo oficial da energia em US$ 19,28 por quilowatt por mês durante três anos. Segundo a nota da binacional, os recursos permanecem vinculados às destinações aprovadas para o período.

O ex-diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, pontua que a quitação da dívida deveria ter gerado uma queda mais expressiva na conta de luz. Kelman observa que parte do montante que seria usado para os financiamentos foi redirecionado para programas socioambientais, que cresceram 39% em 2025, atingindo aproximadamente US$ 1,2 bilhão.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.