Rio perde 165 mil moradores para outros estados entre 2017 e 2022, aponta IBGE
Redução absoluta de moradores no Rio de Janeiro foi a maior do país no período, segundo dados do IBGE; São Paulo foi o principal destino.
Por Redação Diário Local
O estado do Rio de Janeiro perdeu 165.360 moradores no período compreendido entre 2017 e 2022, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A redução absoluta foi a maior registrada no Brasil, desconsiderando estrangeiros e pessoas sem especificação de residência.
A migração negativa contrasta com o período entre 2005 e 2010, quando o Rio registrou um saldo migratório positivo de 23.104 pessoas. O demógrafo Marcio Misuo, do IBGE, avalia que a perda pode estar vinculada a questões econômicas, ao custo de vida e ao contexto de segurança pública.
Para onde foram os moradores?
São Paulo foi o principal destino de quem deixou o estado fluminense, recebendo 71 mil pessoas. A migração para o estado vizinho é impulsionada pela proximidade geográfica e por um mercado de trabalho considerado mais amplo e diversificado.
No fluxo de chegada, os estados de Minas Gerais, Paraíba e Ceará figuram entre os que mais enviaram residentes para o Rio. O movimento de pessoas também ocorre em sentido inverso, com profissionais de outros estados se estabelecendo na capital e no interior fluminense.
Redução de população estrangeira
O setor de imigrantes internacionais também apresentou queda no Rio de Janeiro. Entre os períodos de 2011 e 2022, o contingente de estrangeiros no estado caiu de 96.821 para 80.292 pessoas.
Segundo o demógrafo Marcio Misuo, a redução de 16.529 estrangeiros ocorre porque o Rio não foi o destino principal das recentes ondas migratórias, como as vindas da Venezuela. Além disso, o envelhecimento da população imigrante europeia residente no estado contribui para o efeito de mortalidade no grupo.
Desafios econômicos e de retenção
O cenário de perda populacional está ligado a transformações na geografia econômica do país. Segundo o professor Vitor de Pieri, do Departamento de Geografia Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o Rio sofreu com a perda de dinamismo econômico.
Pieri aponta que a crise fiscal do estado, a redução de investimentos e dificuldades em setores como petróleo, gás e construção civil impactaram o mercado de trabalho. Os desdobramentos da Operação Lava Jato também afetaram cadeias produtivas importantes no estado.
Para o professor da Uerj, o principal desafio do estado é recuperar a capacidade de atrair e reter a população, especialmente jovens e profissionais qualificados, por meio da criação de oportunidades de renda e perspectivas de futuro.
