Risco país sobe 13,09% e atinge 134,87 pontos após vitória de Lula
Indicador de proteção contra calote da dívida subiu após o segundo turno das eleições presidenciais e reflete cautela do mercado.
Por Redação Diário Local
O indicador de risco país do Brasil, medido pelo custo de proteção contra um eventual calote da dívida soberana, atingiu 134,87 pontos nesta quinta-feira (29). O índice de Credit Default Swap (CDS) de 5 anos apresentou uma alta de 13,09% em comparação aos 119,26 pontos registrados no dia 23 de outubro.
A elevação ocorre em um cenário de reavaliação dos ativos brasileiros após o segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25), que resultou na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento sinaliza maior cautela por parte dos investidores em relação às perspectivas para a economia e à condução da política econômica do governo.
O indicador chegou a registrar um pico de 143,87 pontos na segunda-feira (26), logo após o desfecho do pleito. O mercado financeiro trabalhava com a expectativa de que uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) resultaria em uma gestão com perfil menos expansionista.
O avanço atual demonstra que o mercado passou a exigir um prêmio maior para assumir o risco de crédito do emissor brasileiro. Isso acontece porque a pontuação do CDS exprime diretamente o custo dessa proteção contratual.
O CDS funciona como uma espécie de seguro contra o inadimplemento de um país ou empresa. Nesse contrato, o comprador paga um valor (prêmio) para garantir cobertura caso ocorra o não pagamento de uma dívida.
Em caso de calote, o contrato prevê uma compensação baseada nas condições estabelecidas. Portanto, quanto mais alta a pontuação, maior é a percepção de risco do mercado sobre a capacidade de pagamento do país.
Apesar da movimentação, é importante destacar que o CDS não representa uma probabilidade oficial de inadimplência. O indicador é um termômetro de custo de proteção, e não um cálculo de chance real de calote.
A conversão do valor do prêmio em uma probabilidade implícita de inadimplência depende de metodologias de cálculo específicas. Além disso, o resultado varia conforme as hipóteses adotadas sobre a recuperação de valores em um eventual cenário de calote.
