Instituições criam sistema para monitorar recuperação de vegetação nativa em todos os biomas
Modelo foca em resultados ecológicos e autossustentabilidade em vez de regras de plantio ou metas anuais.
Por Redação Diário Local
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Embrapa e o Serviço Florestal Brasileiro estruturaram um sistema unificado de monitoramento de vegetação. O modelo visa atestar a qualidade ecológica da restauração em todos os biomas do Brasil.
Diferente do modelo tradicional, que concentrava a fiscalização em metas intermediárias anuais ou na imposição de técnicas de plantio, o novo sistema foca nos resultados ecológicos. O objetivo é verificar se a vegetação em recuperação atingiu a autossustentabilidade, com avaliações realizadas em um prazo regulatório mínimo de quatro anos.
A mudança metodológica, consolidada em um documento técnico conjunto, busca oferecer segurança jurídica para atrair investimentos em projetos de recuperação de larga escala. Além disso, o sistema pode reduzir a necessidade de vistorias presenciais pelas agências ambientais.
Quais são os critérios do novo monitoramento?
Para garantir a qualidade ambiental, o sistema utiliza quatro indicadores científicos medidos diretamente em campo. Segundo a Embrapa, os eixos de avaliação são a cobertura vegetal do solo, a densidade de plantas nativas que estão se regenerando, a riqueza de espécies e a presença de baixa ou nenhuma cobertura de espécies invasoras ou indesejáveis.
O acompanhamento desses indicadores indica se o ecossistema degradado está em uma trajetória de desenvolvimento autossustentável. A metodologia é versátil e pode ser aplicada a 46 tipos distintos de vegetação nativa, abrangendo os seis biomas nacionais: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa.
Historicamente, os parâmetros de monitoramento baseavam-se quase exclusivamente em características da Mata Atlântica. O novo sistema corrige distorções ao oferecer critérios que respeitam as realidades ecológicas de regiões como o Pampa, a Caatinga e o Pantanal.
Compromissos internacionais e metas de restauração
A implementação do sistema auxilia o Brasil no cumprimento de metas internacionais, como as do Acordo de Paris, relacionadas à redução de emissões de gases de efeito estufa. O monitoramento também apoia o objetivo de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, alinhado à Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas.
Especialistas dos órgãos envolvidos alertam que, embora o marco regulatório de quatro anos seja um avanço, a restauração é um processo de longo prazo. O grupo ressalta a necessidade de investimento contínuo em pesquisa científica para validar se os resultados observados no quarto ano garantem o sucesso ecológico definitivo após décadas de maturação.
