Apenas 16% das empresas brasileiras têm sucessor preparado para cargo de CEO
Pesquisa aponta que 41% das companhias brasileiras ainda não sabem quem será o próximo presidente da organização.
Por Redação Diário Local
Apenas 16,1% dos CEOs de empresas brasileiras afirmam ter um executivo preparado para assumir a presidência da organização no momento. A informação faz parte do estudo “CEOs do Brasil - Panorama da Liderança Executiva do País”, realizado pelo Great Place To Work (GPTW) em parceria com a empresa de executive search EXEC.
O levantamento, que contou com a participação de mais de 220 executivos, revela um cenário de incerteza para a continuidade do comando nas companhias. Segundo os dados, 41% dos atuais presidentes ainda não sabem quem será o seu sucessor.
A pesquisa acende um alerta sobre o risco organizacional gerado por sucessões desestruturadas. Para Rodrigo Forte, sócio da EXEC, a deficiência na formação de novos líderes é um problema relevante, especialmente em um mercado composto majoritariamente por empresas familiares e de capital fechado.
Por que a sucessão é um desafio para as empresas?
A preparação de um sucessor vai além de identificar profissionais com bom desempenho em cargos abaixo da presidência. Segundo as análises do estudo, muitos executivos apresentam lacunas importantes, como a falta de uma visão ampla do negócio, pouca experiência no trato com acionistas e conselhos, além de dificuldades na tomada de decisão sob incerteza.
Para Tatiane Tiemi, CEO do Great Place To Work Brasil, o ponto crítico é a qualificação das lideranças, tanto em aspectos técnicos quanto comportamentais. O estudo aponta que, para 38,2% dos entrevistados, a qualificação da liderança é o principal desafio enfrentado atualmente, superando inclusive questões de expansão de negócios.
A complexidade aumenta com a necessidade de os novos líderes conduzirem transformações digitais e lidarem com a inteligência artificial, sem comprometer os resultados financeiros imediatos.
Qual o perfil de permanência dos atuais CEOs?
O estudo também analisou o tempo de permanência dos executivos em seus cargos. Apenas 6% dos participantes ocupam a presidência há menos de um ano. Entre os que possuem maior experiência, 24,9% já estão no comando há mais de 15 anos.
A longevidade na carreira também é um fator que impacta o planejamento de sucessão. Cerca de 19,3% dos CEOs entrevistados afirmam que não têm planos de parar de trabalhar. Entre os que pretendem se aposentar, 24% planejam trabalhar até os 60 ou 65 anos, enquanto 6,9% afirmam que desejam permanecer ativos mesmo após os 80 anos.
Diante desse cenário, especialistas indicam que a escolha entre um sucessor interno ou um novo executivo vindo do mercado deve depender do ciclo de transformação que cada companhia atravessa.
