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Economia

Trabalho por aplicativos atinge 2 milhões de pessoas e apresenta rendimento por hora 12% menor, diz IBGE

Levantamento do IBGE revela que quase 2 milhões de brasileiros dependem de plataformas digitais, com jornada semanal superior à média.

Por Redação Diário Local

Quase 2 milhões de pessoas trabalhavam por meio de plataformas digitais de serviços no Brasil em 2025, segundo dados da PNAD Contínua divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (4).

O levantamento revela que o rendimento médio mensal dos profissionais que utilizam aplicativos foi de R$ 3.147, valor praticamente igual ao dos demais trabalhadores do setor privado, que receberam R$ 3.148. No entanto, o rendimento calculado por hora trabalhada é 12% menor para os plataformizados: eles recebem R$ 16,20 por hora, contra R$ 18,40 dos outros trabalhadores.

A diferença também é observada na carga horária. A jornada média semanal de quem atua por aplicativos é de 44,7 horas, enquanto a média para os demais ocupados do setor privado é de 39,3 horas.

Como é a distribuição do trabalho por aplicativos?

O contingente de trabalhadores em plataformas é composto por 1,805 milhão de pessoas que têm a atividade como principal fonte de renda, o que representa 92,1% do total. Outros 182 mil utilizam os aplicativos como trabalho secundário, e 28 mil utilizam para ambas as funções.

O setor de transporte particular de passageiros, que inclui serviços como Uber e 99, concentra a maior parte dos trabalhadores, com 1,2 milhão de pessoas (58,9%). Em seguida, aparecem os aplicativos de entrega, que abrangem 29,9% do grupo.

A pesquisa também contabilizou os aplicativos de serviços gerais ou profissionais, que intermediam desde tarefas domésticas e reparos até serviços de tecnologia e consultoria. O crescimento desse segmento foi o mais expressivo desde 2022, com alta de 55,4%.

Quem são os trabalhadores das plataformas?

O perfil predominante é masculino, representando 84,4% dos trabalhadores plataformizados, enquanto as mulheres somam 15,6%. No setor privado geral, a participação feminina é de 41,8%.

Em termos de idade, 47% dos trabalhadores de aplicativos têm entre 25 e 39 anos. Sobre o modelo de contratação, 86,8% atuam por conta própria, ao passo que apenas 4,5% são empregados com carteira assinada.

Qual o grau de dependência das plataformas?

Pela primeira vez, o IBGE investigou a frequência de uso e a quantidade de aplicativos utilizados. O estudo mostrou que 62,7% dos trabalhadores que usam plataformas como atividade principal dependem exclusivamente delas.

Ao cruzar os dados, o levantamento identificou um grupo de 701 mil pessoas (38,8%) que trabalha de forma exclusiva por meio de uma única plataforma. Esse cenário deixa parte dos trabalhadores mais vulnerável a mudanças de regras ou bloqueios de contas por parte das empresas.

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) afirmou que defende uma regulamentação que contemple a flexibilidade da jornada e a diversidade nos modelos de negócios entre as plataformas e os trabalhadores.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.