Diário Local
Economia

Tarifa média de produtos brasileiros nos EUA sobe para 17,7%, aponta levantamento

Custo médio de entrada de mercadorias do Brasil no mercado americano saltou de 11% para 17,7% com novas regras de proteção

Por Redação Diário Local

A tarifa efetiva média cobrada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros subiu de 11% para 17,7%, segundo levantamento da Global Trade Alert (GTA). O aumento reflete a aplicação de novas camadas de taxação que elevam o custo de acesso das mercadorias brasileiras ao mercado americano.

O salto na carga tributária é resultado da combinação de duas medidas distintas aplicadas recentemente. A primeira é uma tarifa adicional de 25% direcionada especificamente ao Brasil, que entrou em vigor na quarta-feira (22). A segunda é uma cobrança baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que passou a incidir sobre o país na sexta-feira (24).

Esta segunda camada de impostos surgiu após investigações americanas sobre produtos associados ao uso de trabalho forçado. A soma dessas regras elevou a média de cobrança sobre o Brasil e deixou o país em uma posição desfavorável entre os principais fornecedores dos Estados Unidos.

Embora a China apresente a maior tarifa média entre os grandes fornecedores, com 27,2%, o Brasil registrou uma das variações mais bruscas na relação comercial. Outros parceiros, como Vietnã, Indonésia, Chile e Colômbia, tiveram aumentos mais moderados, variando entre 0,4 e 1,3 ponto percentual.

Perda de competitividade relativa

Além do aumento direto nos custos, o Brasil enfrenta uma perda de competitividade frente a outros exportadores. A Global Trade Alert calcula que o país passou a ter uma desvantagem de aproximadamente 7,5 pontos percentuais em uma métrica que compara a carga brasileira com a de concorrentes que vendem produtos similares.

Na prática, as empresas brasileiras passam a disputar o mercado norte-americano em condições menos favoráveis. Enquanto o Brasil viu sua posição piorar, parte da Europa apresentou resultados opostos. A Alemanha teve queda de 0,5 ponto percentual na tarifa efetiva e a Itália registrou redução de 1,5 ponto percentual.

O ganho europeu está ligado à composição das exportações e às exceções previstas no novo modelo. Produtos como diamantes, cortiça e ferro-gusa ficaram fora das novas cobranças. No caso da França, o impacto foi limitado porque parte relevante de suas exportações é composta por aeronaves civis, itens que não entraram na nova taxação.

Quais são as exceções da nova tarifa?

A estrutura tarifária americana não atinge os produtos de forma uniforme, prevendo uma lista de exceções para itens considerados estratégicos. Entre os produtos poupados estão carnes, componentes de aeronaves e determinados itens de ferro.

De acordo com a Global Trade Alert, cerca de 65% das importações de economias atingidas pela medida (excluindo Brasil e China) ficaram totalmente fora da cobrança. Isso inclui produtos do México e do Canadá, que seguem as regras do acordo comercial USMCA, além de cerca de 1.600 outras linhas tarifárias excluídas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.