Ministro da Fazenda projeta resolução de impasse sobre tarifas dos EUA após eleições de outubro
Dario Durigan espera discutir o tema com secretário do Tesouro dos EUA durante reunião do G20 no fim de agosto.
Por Redação Diário Local
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta segunda-feira (27), que acredita que o impasse sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros deve ser resolvido apenas após as eleições de outubro deste ano. O ministro pretende tratar o tema diretamente com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, durante a reunião de ministros das Finanças e governadores de Bancos Centrais do G20, no fim de agosto.
O encontro deve ocorrer em Asheville, na Carolina do Norte. Durigan disse que levará os argumentos do Brasil de forma respeitosa durante o evento, mas projeta um desfecho para a questão tarifária somente após o pleito eleitoral norte-americano.
O cenário tarifário atual é composto por duas medidas recentes aplicadas pelos norte-americanos. Na última quarta-feira (22), entrou em vigor uma taxa de 25% deliberada pelo governo de Donald Trump. A decisão fundamenta-se em uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre supostas práticas desleais do Brasil.
Entre os motivos citados pelo USTR para a tarifa de 25% estão falhas no combate à corrupção, dificuldades de acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual e falta de eficácia no combate ao desmatamento ilegal. Além disso, o órgão aponta tarifas preferenciais injustas adotadas pelo Brasil.
Somando-se a isso, na última quinta-feira (23), os EUA decidiram aplicar uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. O percentual é decorrente de uma acusação de ineficiência do Brasil no combate ao ingresso de mercadorias fabricadas com trabalho forçado, conforme outra investigação do USTR.
Em nota emitida na última sexta-feira (24), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) criticou o que chamou de "traidores da Pátria", afirmando que o "tarifaço" tem origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira. O governo federal também tem mencionado a proximidade entre Donald Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) como um possível fator político para a imposição das taxas.
Para mitigar os impactos econômicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na última quarta-feira (22), uma medida provisória que prevê R$ 18,5 bilhões de apoio a empresas afetadas. O montante faz parte da terceira fase do plano Brasil Soberano.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) também anunciou um investimento de R$ 130 milhões. O recurso será aplicado em um plano de diversificação de mercados, com detalhes a serem divulgados em agosto.
