Taxas dos DIs fecham em queda após anúncio do Tesouro dos EUA sobre recompras de títulos
Movimento nos mercados de títulos no exterior após anúncio de duplicação de recompras nos Estados Unidos pressionou as taxas para baixo no Brasil.
Por Redação Diário Local
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam em queda nesta quarta-feira (19), acompanhando o movimento de recuo nos mercados de títulos no exterior. A queda ocorreu após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar que irá dobrar o tamanho de algumas operações de recompra de títulos.
Nos Estados Unidos, o órgão anunciou a duplicação do volume de recompras para títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos, passando para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. A medida deve vigorar entre 9 de setembro e 4 de novembro.
A decisão americana foi tomada após uma onda de vendas de títulos elevar o rendimento dos papéis de 30 anos ao nível mais alto registrado desde 2007. O cenário foi influenciado por temores de uma escalada na guerra entre EUA e Israel contra o Irã e preocupações com o quadro fiscal norte-americano.
O movimento de recompra ajudou a aliviar a pressão nos mercados de juros globais, impactando também o Brasil. O estrategista da Empiricus Research, Matheus Spiess, destacou que a medida retirou a pressão sobre o mercado de juros nos EUA e ao redor do mundo, inclusive no cenário brasileiro.
No encerramento da tarde, o rendimento do Treasury de dez anos — principal referência global para decisões de investimento — caiu 6 pontos-base, registrando 4,647%. Já o retorno do papel de 30 anos recuou 9 pontos-base, fechando em 5,193%.
A movimentação nos juros americanos fez com que a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, perdesse o protagonismo. O documento divulgado nesta quarta-feira (19) indicou que a preocupação com a inflação se aprofundou na última reunião do órgão.
Segundo a ata, diversos formuladores de política do Fed manifestaram disposição para aumentar as taxas de juros caso a inflação não atinja a meta de 2%. O mercado agora aguarda os comentários do presidente do Fed, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole, previsto para a próxima semana.
Como ficaram as taxas do DI no Brasil?
No mercado local, a taxa do DI para janeiro de 2028 encerrou o dia em 13,9%, frente ao ajuste de 13,971% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa para janeiro de 2035 fechou em 14,66%, ante os 14,779% registrados na última sessão.
