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'O sol nasce para todos', drama chinês premiado em Veneza, trata culpa e amor sem moralizar

Cai Shangjun dirige o longa com Xin Zhilei no papel central; a atriz venceu o prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza 2025 pela interpretação.

Por Diário Local

O longa-metragem chinês O sol nasce para todos, do diretor Cai Shangjun, começa com um encontro inesperado: Meiyun (Xin Zhilei) está num hospital, onde acaba de descobrir que está grávida, quando se depara com Baoshu (Zhang Songwen), seu ex-namorado, em tratamento contra um câncer.

O encontro desperta uma história mal resolvida. Anos antes, Baoshu assumiu a culpa por uma batida e fuga de carro em que Meiyun estava ao volante. Ele cumpriu cinco anos de prisão enquanto ela o visitava regularmente — até desaparecer sem explicação.

"A gratidão pesa mais do que o amor", afirma a personagem, decidida a saldar a dívida. O filme, no entanto, recusa respostas simples: seria possível compensar tamanha devoção? A pergunta permanece aberta, assim como Meiyun, que seguiu em frente sem conseguir deixar o passado para trás.

Cai constrói um drama moral denso com dilemas sobre culpa, mentira, falta de comunicação e um amor que persiste mesmo diante de sentimentos contraditórios. A personagem de Xin Zhilei chama a atenção pela raridade: nem sempre seus próprios motivos estão claros para ela mesma, e muito menos para o espectador.

A atuação rendeu à atriz a Coppa Volpi de melhor atriz no Festival de Veneza 2025 — um dos prêmios de interpretação mais relevantes do circuito internacional. Zhang Songwen também entrega uma performance de destaque no papel do ex-namorado.

O diretor não é estreante nos prêmios de Veneza: em 2011, ganhou o Leão de Prata de melhor direção com o longa People mountain people sea. No novo filme, cria cenas de forte impacto — entre elas, uma sequência dentro de um elevador que sintetiza a dinâmica do casal —, embora uma cena de violência pareça deslocada em relação ao restante da narrativa.

O resultado é um filme que trata as relações humanas com maturidade e complexidade, sem simplificar o que é, por natureza, difícil de compreender.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.