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'Uma infância alemã' mostra dilemas de garoto da juventude hitlerista ao fim da Segunda Guerra

Dirigido por Fatih Akin, o longa acompanha Nanning, um pré-adolescente membro da juventude hitlerista nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial.

Por Diário Local

O longa "Uma infância alemã" — título original "Amrum" — apresenta o retrato contido de um menino dividido entre as exigências cruéis da juventude hitlerista e o fim iminente da Segunda Guerra Mundial. O jovem ator Jasper Billerbeck interpreta Nanning, de cerca de 12 a 13 anos, com naturalidade e densidade raras para a faixa etária.

A trama se passa na Ilha de Amrum, no Mar do Norte, refúgio temporário da família enquanto o pai — descrito como alto oficial — permanece no front. A mãe aguarda o nascimento do quarto filho. Ao redor, a ilha recebe um fluxo de alemães e europeus em fuga, que buscam ali uma espécie de exílio nos últimos meses do conflito.

Filiado à juventude hitlerista, Nanning tenta cumprir suas obrigações, mesmo as mais difíceis de compreender. Em um dos poucos momentos de alívio, divide a leitura de "Moby Dick" com um amigo — detalhe que marca o contraste entre o universo da imaginação e o ambiente opressivo que o rodeia.

O filme é dirigido por Fatih Akin, cineasta de descendência turca e um dos nomes mais proeminentes do cinema alemão contemporâneo, responsável por obras como "Contra a parede" e "Do outro lado". O roteiro foi desenvolvido em parceria com o cineasta Hark Bohm, que havia concebido o projeto como obra autobiográfica. Problemas de saúde impediram Bohm de assumir a direção, e Akin tomou o projeto. A fotografia de Karl Walter Lindenlaub equilibra o deslumbramento pela paisagem natural da ilha e a presença sombria da guerra que se aproxima.

Com atuação central forte e direção cuidadosa, "Uma infância alemã" sustenta uma premissa clara: em qualquer conflito, as primeiras vítimas são as crianças.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.