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Casos de abuso sexual contra menores migrantes aumentam em Ceuta, na Espanha

Polícia investiga denúncias de estupro enquanto governo espanhol planeja transferir 500 meninas para a Espanha continental

Por Redação Diário Local

A cidade de Ceuta, enclave espanhol localizado na fronteira com o Marrocos, registra um aumento nos casos de violência sexual contra menores migrantes. A polícia local investiga ao menos 15 denúncias de estupro na região, mas autoridades acreditam que muitos episódios nem sequer chegam a ser formalmente denunciados.

O cenário de vulnerabilidade é agravado pela crise migratória que atinge o território. No final de julho, cerca de 80 mil imigrantes cruzaram a fronteira para a Espanha. Especialistas estimam que, atualmente, entre 3 mil e 5 mil menores de idade permaneçam na cidade.

A falta de infraestrutura para acolhimento tem deixado crianças e adolescentes em situação de risco extremo. Relatos indicam que, devido à falta de vagas em abrigos, menores estão dormindo em áreas industriais, sem acesso adequado a banheiros e higiene básica.

A médica de emergência do Hospital de Ceuta, Susana Ascaso, relatou que o serviço de saúde tem atendido várias vítimas de abuso nos últimos dias. Em um caso recente, uma menina de 12 anos foi levada ao hospital após relatar ter sofrido toques inadequados por outros imigrantes marroquinos.

O prefeito de Ceuta, Juan Jesús Vivas, declarou que as autoridades locais operam em situação de emergência. Segundo o gestor, a demanda atual é 5.000% superior à capacidade de atendimento do município, o que impede que os menores recebam os cuidados necessários.

Como o governo espanhol pretende agir?

Para aliviar a pressão sobre o sistema de Ceuta, o governo central da Espanha planeja transferir cerca de 500 meninas desacompanhadas para diferentes regiões da Espanha continental. Segundo o Ministério da Juventude e da Infância espanhol, o grupo será acolhido por instituições de proteção infantil.

O ministério também reforçou que a legislação espanhola impede o retorno automático de menores ao Marrocos. O órgão destacou que qualquer medida de repatriação exige uma análise individualizada de cada caso, criticando propostas de devolução imediata.

Qual o perfil dos menores em Ceuta?

A maioria dos menores em situação de risco está desacompanhada. O perfil inclui adolescentes que buscam oportunidades de estudo e uma vida melhor fora do Marrocos, mas que enfrentam a precariedade de dormir ao relento ou em locais sem estrutura básica de subsistência.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.