Governador de Sinaloa pede afastamento após acusações de narcotráfico feitas pelos EUA
Rubén Rocha solicita nova licença após retomar funções no sábado (22), sob críticas do governo mexicano e de seu próprio partido.
Por Redação Diário Local
O governador de Sinaloa, Rubén Rocha, solicitou um novo afastamento do cargo neste sábado (22), apenas um dia após retomar as atividades governamentais. O pedido ocorre em meio a uma crise política com o governo federal mexicano e com o partido Morena, que criticam a postura do gestor diante das acusações que ele enfrenta nos Estados Unidos.
Rocha, de 77 anos, havia reassumido o mandato na sexta-feira (21), após passar mais de três meses afastado das funções. O afastamento anterior ocorreu devido a investigações de promotores federais dos Estados Unidos, que acusam o governador de envolvimento com tráfico de drogas, suborno e proteção a cartéis.
A volta de Rocha ao comando do estado não foi aceita pelo governo mexicano nem pelo partido governista Morena. As lideranças do partido acusaram o governador de priorizar interesses pessoais em vez do interesse público. A tensão política aumentou após declarações da presidente Claudia Sheinbaum nas redes sociais.
Embora não tenha citado o nome de Rocha, a presidente Sheinbaum afirmou que "o poder sem princípios transforma-se em arrogância" e que nenhum interesse pessoal pode estar acima dos interesses da nação. Em resposta, o governador publicou uma nota afirmando que Sinaloa, a nação e o movimento de transformação estão acima de tudo.
Acusações de conspiração
O caso ganhou força em abril, quando promotores americanos alegaram que Rocha e outras nove autoridades, entre atuais e antigos gestores, conspiraram com a facção "Los Chapitos", do Cartel de Sinaloa. Segundo a acusação, o grupo teria facilitado o tráfico de drogas para os Estados Unidos em troca de subornos e apoio político.
A investigação do Departamento de Justiça dos EUA representa uma expansão das ações contra o narcotráfico, ao incluir uma autoridade política de alto escalão em exercício. O governador, no entanto, classifica o processo americano como um ataque politicamente motivado contra o movimento liderado pela presidente Sheinbaum.
Posição do governo mexicano
O governo de Claudia Sheinbaum declarou que os Estados Unidos não apresentaram provas suficientes para justificar a prisão ou a extradição de Rocha. Apesar da resistência às medidas de Washington, a administração mexicana confirmou que abriu uma investigação interna para apurar as denúncias de irregularidades.
A atual crise evidencia divisões dentro do partido Morena, que é a base de apoio da presidente. O retorno de Rocha ao poder foi recebido com frieza pelos setores do governo, sinalizando que o embate entre a gestão estadual e as diretrizes federais deve persistir.
