Capital caribenha de Montserrat permanece soterrada por cinzas vulcânicas desde a década de 1990
Erupções do vulcão Soufrière Hills soterram Plymouth e criam zona de exclusão permanente com prédios e objetos preservados sob cinzas
Por Redação Diário Local
A antiga sede administrativa e capital de Montserrat, no Caribe, permanece soterrada por cinzas vulcânicas desde a década de 1990. O desastre, causado pelas erupções do vulcão Soufrière Hills, transformou a localidade de Plymouth em uma zona de exclusão restrita e impôs a evacuação de grande parte da população da ilha.
O processo de destruição teve início em julho de 1995, quando o vulcão Soufrière Hills, que estava inativo há séculos, entrou em erupção. As explosões lançaram nuvens de cinzas e material incandescente, tornando o ar irrespirável e forçando o governo local a ordenar a retirada emergencial dos habitantes da área metropolitana.
Embora a coordenação da retirada tenha evitado mortes, os moradores deixaram casas e pertences sem a possibilidade de retorno. O volume de detritos cobriu o antigo centro governamental, criando um terreno estéril onde apenas partes de grandes construções ainda podem ser vistas.
O que sobrou nas ruínas de Plymouth?
O cenário atual apresenta ambientes que funcionam como cápsulas do tempo. Em sobrevoos realizados por turistas e cientistas, é possível observar resquícios de relógios de torres, antenas de rádio e cúpulas de igrejas que se projetam acima da camada de cinzas.
Dentro de escritórios destruídos, objetos como máquinas de escrever e telefones antigos permanecem estáticos sob a lama endurecida. A destruição afetou severamente prédios administrativos, que tiveram os andares inferiores esmagados, além de casas comerciais, como hotéis e mercearias.
Por que a região permanece isolada?
A continuidade da instabilidade tectônica na cordilheira motivou a criação de uma zona de exclusão permanente. Para proteger a vida humana contra novos fluxos de lama e avalanches rochosas, as autoridades estabeleceram uma fronteira militarizada que isola permanentemente mais da metade da porção sul da ilha.
O acesso ao perímetro é estritamente controlado, sendo concedido majoritariamente para pesquisadores. Segundo análises do Serviço Geológico dos Estados Unidos, a crosta terrestre na região permanece sob intenso estresse, o que inviabiliza planos de reconstrução urbana a curto ou longo prazo.
Como está a vida em Montserrat hoje?
A população remanescente migrou para a metade norte da ilha, buscando terreno rochoso e abrigo contra as ameaças vulcânicas. Esse deslocamento exigiu a construção de nova infraestrutura habitacional e portuária para sustentar os cidadãos que permaneceram no território.
O que antes era um polo financeiro ativo agora funciona como um destino de turismo restrito, com excursões realizadas apenas por via marítima controlada. O cenário de soterramento é frequentemente comparado por especialistas à história da cidade de Pompeia.
