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Afeganistão cobra responsabilidade dos EUA em plano de deportação de imigrantes

Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão pede diálogo com Washington para garantir retorno digno de refugiados.

Por Redação Diário Local

O Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão pediu, nesta segunda-feira (2), que os Estados Unidos ajam com responsabilidade no processo de deportação de imigrantes afegãos para o país. O governo afegão manifestou preocupação com os planos de Washington de transferir refugiados para o Paquistão, alertando que muitos desses indivíduos ainda não possuem documentos de residência legal em território paquistanês.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, a autoridade afegã afirmou que países terceiros não devem negociar o destino de cidadãos de outra nação em troca de benefícios temporários ou outras considerações. O texto ressalta que tais medidas não devem prejudicar a dignidade humana nem os princípios jurídicos e humanitários reconhecidos internacionalmente.

O governo de Cabul declarou estar comprometido com qualquer tipo de interação e cooperação construtiva para garantir que o retorno de seus cidadãos ocorra de forma digna, segura e voluntária. O Ministério enfatizou que considera sua responsabilidade assegurar a proteção e os direitos desses indivíduos durante o processo.

A reação oficial acontece após o governo do presidente americano, Donald Trump, anunciar planos para deportar mais de 150 afegãos. Entre os imigrantes que podem ser afetados estão familiares de pessoas que prestaram auxílio às Forças Armadas dos Estados Unidos antes do retorno do Talibã ao poder no país.

De acordo com as informações sobre a logística do plano, os imigrantes devem ser transportados de avião da Louisiana, nos EUA, para o Paquistão. A partir do território paquistanês, eles seriam expulsos através da fronteira diretamente para o Afeganistão.

A movimentação ocorre em um cenário de alta tensão entre o Afeganistão e o Paquistão. Desde fevereiro deste ano, os dois países enfrentam um conflito marcado pelos combates mais intensos em anos. Enquanto Islamabad acusa Cabul de abrigar militantes responsáveis por ataques transfronteiriços, o governo do Talibã nega acolher insurgentes e atribui a violência a problemas internos do Paquistão.

A situação de segurança na região fronteiriça foi agravada na última quarta-feira (28), quando uma pessoa morreu e outras cinco ficaram feridas. O incidente ocorreu após forças do Talibã abrirem fogo contra residências civis e um mercado na região do Waziristão, no Paquistão, segundo informações de uma autoridade administrativa paquistanesa.

Apesar dos confrontos recentes, o grupo afegão afirmou, em momentos anteriores, que os problemas com o Paquistão poderiam ser solucionados por meio de canais diplomáticos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.