Agente do ICE mata colombiano que não era alvo de operação em Biddeford, no Maine
O jovem de 26 anos seguia para o trabalho quando foi baleado durante abordagem; morte causou protestos e pedido de investigação
Por Davy Albuquerque
Um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) matou a tiros o colombiano Joan Sebastian Guerrero, de 26 anos, durante uma abordagem em Biddeford, no Maine. O incidente ocorreu na segunda-feira (13) enquanto o jovem seguia para o trabalho.
O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, confirmou ao senador independente Angus King que Guerrero não era o alvo do mandado de busca. Embora o secretário tivesse dito horas antes que o colombiano era o objetivo da operação, a versão foi corrigida posteriormente.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) esclareceu que os agentes vigiavam o último endereço conhecido de outro imigrante com ordem de remoção. Segundo o órgão, Guerrero saiu do local em um carro e tentou fugir, o que teria levado o agente a atirar por "temer pela segurança pública".
Dinâmica da abordagem e investigação
O governo norte-americano não explicou qual ameaça específica justificaria o uso de força letal. O gabinete do procurador-geral do Maine informou, porém, que relatos iniciais indicam que o veículo de Guerrero avançou na direção do agente durante a abordagem.
Imagens de imprensa local registraram quatro marcas de tiros no para-brisa, no lado do condutor, do veículo Kia branco de Guerrero. Relatos de vizinhos indicaram que foram ouvidos pelo menos seis disparos durante a ação.
O agente envolvido foi afastado de suas funções. A Inspetoria Geral do DHS assumiu a investigação do caso junto ao FBI, enquanto autoridades estaduais também apuram as circunstâncias da morte.
Um ponto relevante levantado pelas autoridades é que os agentes não utilizavam câmeras corporais no momento dos disparos. A situação gerou protestos em Biddeford, onde centenas de pessoas marcharam contra o ICE e realizaram vigílias no local.
Repercussão política e defesa de direitos
A governadora do Maine, Janet Mills, classificou o ocorrido como "perturbador e revoltante" após saber que o jovem não era o alvo da ação. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou ainda que o colombiano foi morto "a sangue-frio".
Organizações de defesa de imigrantes afirmaram que Guerrero possuía autorização para trabalhar e número de Seguro Social. No entanto, essa informação ainda não foi confirmada pelo governo dos Estados Unidos.
A Embaixada da Colômbia nos Estados Unidos lamentou a morte e afirmou que presta assistência consular à família. A representação informou que solicita esclarecimentos ao DHS e acompanha de perto a investigação.
Histórico recente de mortes pelo ICE
O caso de Guerrero é o segundo incidente com agentes do ICE em menos de uma semana. No dia 7 de julho, Lorenzo Salgado Araujo, de 52 anos, foi morto durante uma abordagem em Houston, no Texas.
Em Houston, Araujo também seguia para o trabalho e não era o alvo da operação policial. Assim como no caso do Maine, os agentes envolvidos no Texas não utilizavam câmeras corporais.
As autoridades locais de Houston afirmaram que não há colaboração federal no andamento da investigação sobre o caso de Araujo. O uso de força letal por agentes federais tem voltado ao debate público após mortes ocorridas em Minneapolis, em janeiro.
Atualmente, o governo exige da agência uma meta de até 2 mil prisões por dia, o que tem aumentado a pressão política sobre a instituição de imigração.
