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Economia

Fundos FIDC crescem em busca de rendimento e podem atingir R$ 1 trilhão em patrimônio

Com rentabilidade que pode superar o CDI, fundos de direitos creditórios atraem investidores, mas exigem atenção ao risco de inadimplência

Por Davy Albuquerque

Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) registraram uma captação líquida de R$ 30 bilhões nos primeiros seis meses de 2026, consolidando uma expansão acelerada no mercado financeiro. O segmento tem atraído investidores devido à busca por rentabilidade superior à de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de bancos menores e à ausência da antecipação de Imposto de Renda (come-cotas).

Dados da Anbima mostram que o número de investidores pessoas físicas aplicados nesses fundos cresceu quase 20%, atingindo a marca de 435 mil contas. O patrimônio total do setor encerrou o semestre em R$ 771,4 bilhões, com o número de fundos saltando de 3.930 em dezembro para 4.147 ao fim do período.

A expectativa de mercado é que o patrimônio desses fundos chegue a R$ 1 trilhão nos próximos meses. Especialistas avaliam que o crescimento ocorre pela combinação da demanda de empresas por fontes alternativas de financiamento e a busca dos investidores por diversificação em crédito privado.

Como funciona a rentabilidade dos FIDCs?

Como o crédito ocorre sem a intermediação direta dos bancos, é possível oferecer taxas mais atrativas ao investidor. No segmento de varejo, as remunerações podem variar entre 1% e 2% acima do CDI. Em ambientes de juros elevados, fundos bem estruturados têm entregado retornos entre CDI +2% e CDI +5% ao ano, variando conforme o risco e o lastro.

Um exemplo de movimentação no setor é o fundo Pioneiro, da Solis Investimentos, que iniciou o ano com R$ 738 milhões e caminha para R$ 1,1 bilhão em patrimônio. O veículo tem apresentado retornos médios de 110% do CDI, o que representa um ganho de 1,3% a 1,4% acima do referencial de renda fixa.

Quais são os principais riscos envolvidos?

O principal alerta para o aplicador é que os FIDCs não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A segurança do capital depende exclusivamente da estrutura do fundo, da qualidade dos ativos que compõem o lastro e da estratégia de subordinação de cotas, que serve para absorver perdas.

Embora o risco de inadimplência seja monitorado, setores como o de créditos consignados públicos apresentam comportamento controlado. No entanto, especialistas advertem que a forte concorrência entre gestoras por novos ativos pode gerar uma pressão para a busca por taxas menores, o que pode levar alguns fundos a flexibilizarem suas políticas de investimento e aumentarem o risco para o investidor.

Para mitigar esses problemas, recomenda-se atenção à liquidez, à transparência dos dados e à capacidade de gestão das empresas para atravessar ciclos de crédito. Alterações frequentes em regulamentos ou quedas persistentes em cotas subordinadas são sinais de alerta para os cotistas.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.