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Geopolítica

Chanceler da Alemanha alerta que Rússia busca desestabilizar democracias europeias

Friedrich Merz afirma que o objetivo de Vladimir Putin vai além da Ucrânia e busca enfraquecer as democracias do continente.

Por Redação Diário Local

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, alertou que a Europa está subestimando a dimensão dos riscos representados pela Rússia. Segundo o líder alemão, o objetivo do presidente Vladimir Putin vai além de conquistar territórios na Ucrânia, buscando desestabilizar a ordem política do continente e enfraquecer as democracias europeias.

Em entrevista concedida nesta segunda-feira (19), Merz afirmou que a Rússia está no caminho para comprometer as sociedades abertas e o processo de integração europeia. O chanceler destacou que muitos cidadãos, inclusive na própria Alemanha, ainda não compreenderam a gravidade da ameaça que vem de Moscou.

O governo alemão já associou a Rússia a uma série de incidentes recentes, como uma tentativa frustrada de ataque com drones contra um aeroporto em Leipzig, ocorrida em agosto. Além disso, Berlim tomou medidas diplomáticas neste ano, como o fechamento do consulado russo em Bonn e do centro cultural Casa Russa, em Berlim, o que provocou uma retaliação de Moscou com o encerramento de unidades do Goethe-Institut na Rússia.

A preocupação de Merz é reforçada por alertas da agência de inteligência externa alemã. No corrente mês, o órgão já havia sinalizado que a Alemanha se tornou um dos principais alvos de uma "guerra nas sombras" conduzida por Moscou, descrevendo a situação como um nível de ameaça novo e mais perigoso.

Outro ponto de atenção levantado pelo chanceler é o peso financeiro da guerra. Merz explicou que a Alemanha e outros aliados europeus estão financiando o esforço de defesa e de equipamentos militares da Ucrânia sem o auxílio dos Estados Unidos, o que representa um esforço significativo para os orçamentos nacionais e para a União Europeia.

O líder alemão também comentou sua tentativa de diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O objetivo é convencer Washington de que manter uma Europa estável e uma União Europeia forte é um interesse estratégico para os americanos, em um cenário de incertezas sobre o apoio contínuo a Kiev.

O contexto de tensão entre Europa e Estados Unidos é agravado pelo temor de que os líderes europeus tenham de sustentar sozinhos o suporte à Ucrânia. Recentemente, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou o governo americano de pressionar o país a aceitar concessões à Rússia, citando atrasos no envio de sistemas de defesa e reduções na velocidade da rede Starlink.

Diante desse quadro, Merz afirmou que os governos europeus estão trabalhando para fortalecer a capacidade de defesa própria. O foco é reduzir a dependência de Washington e garantir que a Europa alcance uma posição de maior independência dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.