Escassez de água na Espanha ameaça abastecimento de frutas e verduras na Europa
Exploração de poços ilegais e mudanças climáticas esgotam aquíferos em região que fornece 25% dos produtos frescos do continente.
Por Redação Diário Local
A escassez de água na Espanha ameaça a segurança no abastecimento de frutas e verduras em diversas regiões da Europa. O país é responsável por fornecer até 25% dos produtos frescos consumidos no continente, mas a exploração intensiva e fatores climáticos estão esgotando os recursos hídricos essenciais para a produção.
O problema é central no Parque Nacional de Doñana, no sudoeste espanhol, uma área protegida pela Unesco que abriga espécies ameaçadas. A região depende de um aquífero subterrâneo que vem sendo alvo de centenas de poços ilegais para irrigar plantações, muitas vezes em desacordo com as concessões de uso de água.
Por que a agricultura intensiva pressiona a água?
A busca por culturas de alto valor comercial, como o morango, impulsionou o uso excessivo de água. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o cultivo de morangos pode gerar uma receita bruta de até 150 mil euros por hectare ao ano, valor significativamente superior ao de batatas ou uvas.
Para manter a rentabilidade, muitos produtores recorreram a reservatórios e poços clandestinos para compensar a falta de água das cotas legais. Esse cenário de expansão descontrolada afetou não apenas o ecossistema local, mas também o acesso de moradores da região aos recursos hídricos.
A situação levou o Tribunal de Justiça da União Europeia a decidir, em 2021, que a Espanha falhou na proteção do aquífero de Doñana, violando legislações europeias de preservação.
Como as autoridades combatem o roubo de água?
A Guarda Civil espanhola e organizações como a WWF Espanha monitoram a extração ilegal utilizando tecnologias como imagens de satélite e drones. Essas ferramentas permitem identificar áreas com vegetação excessiva para o status legal do terreno, sinalizando possíveis irrigações irregulares.
Além da vigilância tecnológica, há inspeções presenciais para verificar a integridade de hidrômetros. Investigadores identificaram fraudes comuns, como o uso de ímãs para interferir nos medidores de fluxo. Agricultores flagrados podem ser acusados de crimes ambientais e fraude, com penas que chegam a cinco anos de prisão.
Como parte de um plano de 1,4 bilhão de euros, o governo espanhol tem lacrado poços irregulares e adquirido propriedades rurais para transformá-las em zonas de proteção ambiental. O objetivo é conciliar a produção de alimentos com a preservação dos recursos naturais.
