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Clima

Temperatura global deve subir até 1,8°C, alerta relatório da ONU sobre clima

Relatório do Pnuma indica que temperaturas devem ultrapassar 1,5°C, mas propõe estratégia para retornar ao limite do Acordo de Paris

Por Redação Diário Local

A temperatura global deve aumentar mais de 1,5°C nos próximos anos e pode atingir um pico de 1,8°C, mesmo que as atuais promessas de ação climática dos governos sejam cumpridas. O alerta é feito pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em relatório divulgado nesta quarta-feira (2).

O documento indica que, apesar da projeção de elevação, ainda é possível tentar cumprir as metas do Acordo de Paris. O tratado internacional busca limitar o aquecimento a 2°C em comparação aos níveis anteriores à industrialização, com o esforço de mantê-lo em no máximo 1,5°C.

Para tentar alcançar esses limites, o Pnuma sugere uma estratégia de “ultrapassagem, pico e declínio”. O objetivo é que, ao atingir a marca de 1,5°C, o mundo aplique medidas para retornar a níveis abaixo dessa temperatura, evitando que o calor se estabilize em patamares elevados.

A viabilização desse plano depende de cortes imediatos e sustentados na emissão de gases de efeito estufa, com destaque para o metano. A estratégia também prevê a remoção de carbono da atmosfera e seu armazenamento por meio de processos como o reflorestamento.

Como funciona a estratégia de contenção?

O relatório detalha quatro fases para o controle térmico. A primeira é a "excedência", quando o aquecimento passa de 1,5°C antes de atingir o ponto máximo. A segunda é o "planalto", fase em que a temperatura se estabiliza em um nível máximo (pico) antes de iniciar a redução.

A terceira etapa é o "declínio", período em que as temperaturas médias globais começam a baixar a partir do pico. Por fim, ocorre a "estabilização", fase em que as temperaturas retornam ao patamar de 1,5°C ou menos. Para que esse retorno seja viável, o pico de aquecimento não pode ultrapassar 1,8°C.

Quais os riscos do aumento da temperatura?

A ultrapassagem dos limites térmicos pode causar eventos climáticos extremos mais intensos e a perda de ecossistemas. O documento prevê ainda a submersão de cidades costeiras de baixa altitude e de Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento.

O aumento do calor também impacta a saúde humana, a segurança alimentar, o abastecimento de água, a infraestrutura e a economia. A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, afirmou que ondas de calor extremas já comprovam que os impactos climáticos são rápidos, severos e custam vidas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou que o aumento acima de 1,5°C deve ser o menor e mais breve possível. Segundo ele, o cenário exige uma ambição ainda maior por parte das nações para frear o aquecimento global.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.