Argentina afirma que Brasil rebaixou relações diplomáticas por motivos ideológicos
Governo argentino classificou medida de Luiz Inácio Lula da Silva como unilateral e afirmou que não transforma divergências políticas em incidentes diplomáticos.
Por Redação Diário Local
O governo da Argentina reagiu ao rebaixamento das relações diplomáticas com o Brasil, anunciado nesta terça-feira (4), e afirmou que a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi motivada por “questões puramente ideológicas”. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores argentino classificou a medida como unilateral.
O governo de Javier Milei afirmou que, embora tenham ocorrido manifestações públicas de apoio e críticas entre líderes dos dois países nos últimos anos, Buenos Aires nunca transformou essas divergências em um incidente diplomático. Segundo o comunicado, o país optou por não responder a diferenças políticas com medidas institucionais.
A nota oficial sustenta que as relações entre as duas nações devem ser guiadas pelos interesses permanentes de seus povos, e não por necessidades políticas ou pessoais dos governantes. O governo argentino declarou que sua política externa seguirá focada na defesa do interesse nacional e da soberania.
O que motivou o rebaixamento diplomático
O governo brasileiro comunicou o rebaixamento da relação diplomática com a Argentina na tarde desta terça-feira (4), após sucessivos ataques de Milei ao presidente Lula, ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e às instituições brasileiras. Com a mudança, a relação passa a ser classificada como de encarregados de negócios.
A escalada da crise ocorreu após a participação de Milei em uma convenção política em São Paulo, no último fim de semana (2). Durante o evento, o presidente argentino fez críticas ao presidente brasileiro e ao ministro do STF, além de realizar comentários sobre candidatos à Presidência do Brasil.
Após o discurso, o presidente argentino compartilhou publicações em redes sociais atacando Lula. Em resposta, o governo brasileiro convocou o embaixador da Argentina em Brasília para prestar esclarecimentos e chamou de volta o embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas.
Histórico de tensões
O Itamaraty afirmou que não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, profira ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas e ao povo brasileiro. A tensão foi reforçada por declarações de Milei feitas nesta segunda-feira (3), em entrevista à imprensa argentina, sobre o histórico judicial de Lula.
O presidente argentino também alegou, sem apresentar provas, que o governo brasileiro teria financiado uma campanha digital contra a Argentina. O embaixador Julio Bitelli Raimondi deve permanecer no país enquanto durarem os episódios de ofensas.
