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Ciência

Comportamento de baleia-jubarte que cuidou de filhote morto vira estudo científico

Caso registrado na Austrália ajuda cientistas a entenderem evolução, relações sociais e impulsos associados ao luto animal.

Por Redação Diário Local

O comportamento de uma baleia-jubarte que permaneceu acompanhando um filhote que nasceu morto está ajudando cientistas a entenderem as relações sociais e a evolução dos animais. O caso foi registrado no litoral da Austrália e é objeto de um estudo publicado recentemente na revista Discover Animals.

O episódio começou por volta das 8h de quinta-feira (17), na Costa de Ouro, quando duas baleias foram avistadas na região. Cerca de meia hora depois, uma membrana amniótica apareceu flutuando na superfície, o que indicava que uma baleia gestante havia dado à luz.

Às 8h45 do mesmo dia, um filhote pequeno da espécie foi localizado imóvel no fundo do mar. Logo em seguida, uma fêmea aproximou-se do pequeno animal e começou a interagir com ele por meio de toques com a cabeça e com a nadadeira peitoral.

As imagens mostram que a baleia chegou a deitar-se no fundo do mar junto ao corpo e a cobri-lo com a nadadeira. Durante as interações, a fêmea também foi observada olhando diretamente para os olhos do filhote.

Cientistas que analisaram o caso destacaram que a mãe não tentou empurrar ou carregar o filhote para a superfície para auxiliá-lo na respiração. Esse detalhe sugere que o animal percebeu que o filhote estava morto logo após o nascimento.

Nos dias seguintes ao primeiro registro, as duas baleias adultas continuaram a ser vistas circulando a área onde o filhote permanecia. Elas realizavam movimentos lentos, mergulhando por alguns minutos e retornando à superfície repetidamente.

O que indica o comportamento da baleia?

O artigo científico classifica as ações da baleia-jubarte como "comportamento epimelético". Esse termo define quando um animal saudável dedica atenção e cuidados a um indivíduo que está doente, prestes a morrer ou que já faleceu.

Para os pesquisadores Jan-Olaf Meynecke, da Universidade de Griffith, e Andrew Mulville, da Sea World Foundation, a atitude demonstra um forte apego. O comportamento reforça um impulso evolutivo que biólogos associam ao luto, que envolve o compromisso com outros indivíduos mesmo sob estresse emocional.

Apesar das conclusões, os especialistas ressaltam que ainda são necessárias mais análises sobre o tema. Como não foi possível medir a resposta neurológica ou fisiológica da baleia durante o evento, o estudo permanece como uma importante base para futuras investigações.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.