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Eleições em Israel definem futuro de Netanyahu e podem influenciar negociações no Líbano

Votação no Parlamento israelense ocorre nesta terça-feira (27) e divide opiniões sobre os objetivos militares no Líbano

Por Redação Diário Local

As eleições para o Parlamento de Israel, conhecido como Knesset, ocorrem nesta terça-feira (27) e devem definir a continuidade de Benjamin Netanyahu no comando do país. O pleito ocorre em um momento de tensão devido aos conflitos no Líbano, contra o grupo Hezbollah, influenciando o debate sobre as negociações de paz na região.

O embate político interno divide as narrativas sobre os resultados militares. O governo atual sustenta que as intervenções foram necessárias para a segurança nacional, enquanto a oposição argumenta que os objetivos estratégicos não foram atingidos e que o país sofreu danos colaterais nas operações.

No Líbano, o conflito envolve ataques aéreos e um avanço terrestre israelense de aproximadamente 10 km no território vizinho. Embora um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos tenha reduzido a intensidade dos combates, ainda não há um acordo para o fim definitivo das hostilidades.

O que pode mudar com o resultado das eleições?

Apesar da expectativa de mudanças, especialistas indicam que a política externa de Israel deve manter uma linha de continuidade. Samuel Feldberg, pesquisador da Universidade de Tel Aviv, avalia que mesmo uma vitória da oposição não deve alterar radicalmente as negociações com o Líbano ou a pressão sobre o Hezbollah.

A oposição apresenta nomes com trajetória militar, como Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, e Avigdor Lieberman, ex-ministro da Defesa. Segundo Feldberg, as demandas por desarmamento do grupo libanês devem persistir independentemente de quem assuma o governo.

A professora de Relações Internacionais Karina Calandrin corrobora que o consenso israelense sobre a necessidade de o Hezbollah não reconstruir sua capacidade militar no sul do Líbano dificilmente será rompido. A eleição pode alterar os instrumentos e o grau de disposição para o diálogo, mas não o objetivo central de segurança.

A percepção sobre a 'vitória total'

O sentimento de eficácia das operações militares é motivo de divisão entre a população. Uma pesquisa da Universidade Hebraica de Jerusalém, realizada em colaboração com o Instituto Agam, aponta que apenas 12,2% dos entrevistados acreditam que Israel alcançou a maioria dos objetivos da chamada "vitória total".

A maioria dos participantes da pesquisa (61,3%) afirmou que o país não alcançou esses objetivos de forma alguma, enquanto 26,5% avaliaram que apenas alguns pontos foram atingidos. O conceito de vitória total incluía o desarmamento do Hezbollah no Líbano.

João Miragaya, assessor do Instituto Brasil-Israel, observa que um novo governo poderia buscar um acordo de desarmamento que resulte em paz, mas destaca a complexidade do processo. Segundo o especialista, o Hezbollah deve atuar de forma a dificultar qualquer tentativa de negociação.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.