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Meio Ambiente

Aquecimento global pode chegar a 2,8°C até 2100 se políticas atuais forem mantidas

Relatório do Pnuma indica que emissões atuais colocam metas do Acordo de Paris em risco e exigem cortes urgentes.

Por Redação Diário Local

O planeta deve aquecer 2,8°C ainda neste século caso as políticas atuais de redução de emissões de gases sejam mantidas, alerta um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O documento, divulgado nesta quarta-feira (21), mostra que o índice está muito acima da meta de 1,5°C estabelecida pelo Acordo de Paris.

Mesmo em um cenário onde os países cumpram todas as suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) — metas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa —, o aquecimento ainda seria limitado a 2,6°C. O relatório aponta que o objetivo original de conter o aumento em 1,5°C foi prejudicado por décadas de inércia climática.

Para reverter o quadro e tentar retomar a meta de 1,5°C até o fim do século, o estudo defende a adoção urgente de cortes profundos nas emissões a partir de 2025. A estratégia busca minimizar o pico de temperatura e permitir que o clima se estabilize nas próximas décadas.

Como reduzir a temperatura até 2100?

De acordo com o Pnuma, o aquecimento global poderia atingir um pico entre 1,7°C e 1,8°C por volta de 2050. A partir desse ponto, as temperaturas deveriam diminuir gradualmente para retornar ao limite de 1,5°C até o ano de 2100.

Para viabilizar esse caminho, é necessária uma redução progressiva e acelerada das emissões. As projeções indicam que o volume de gases precisa ser reduzido em 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040.

A implementação dessas mudanças exige o fortalecimento de políticas climáticas e dezenas de transformações estruturais. O esforço deve ocorrer simultaneamente em nações desenvolvidas e em países em desenvolvimento.

Riscos de eventos extremos

O relatório alerta que o aumento da temperatura eleva substancialmente os riscos de eventos climáticos extremos. O texto destaca que cada fração de grau e cada ano adicional de calor acima do limite de 1,5°C aumentam a gravidade dos impactos humanos e ambientais.

Em mensagem relacionada ao documento, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que ultrapassar a meta não significa desistência. Segundo o diplomata, o foco deve ser manter o aumento o mais pequeno e curto possível para tentar trazer as temperaturas de volta ao patamar desejado até o fim do século.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.