Relatório da ONU indica que aquecimento global será maior do que o previsto no ano passado
Dados do PNUMA mostram que a Terra deve aquecer 2,2 graus Fahrenheit acima das temperaturas atuais, impulsionado por emissões dos EUA.
Por Redação Diário Local
A humanidade está perdendo espaço na luta contra o aquecimento global e deve enfrentar temperaturas mais altas do que o previsto anteriormente, de acordo com um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O documento, divulgado nesta quarta-feira (21), indica que o planeta caminha para um aquecimento superior ao projetado no ano passado.
Segundo a atualização dos cálculos climáticos do PNUMA, a Terra deve aquecer cerca de 2,2 graus Fahrenheit acima das temperaturas atuais. Esse valor representa um aumento de dois décimos de grau Fahrenheit em comparação às projeções feitas pela mesma equipe científica no período anterior.
O relatório atribui o resultado pior do que o esperado à retirada formal dos Estados Unidos do Acordo de Paris e à revisão das estimativas de emissões históricas. O documento aponta que o cenário global se agravou devido a esses fatores e à dinâmica de emissões de carbono。
Os Estados Unidos são apontados como um dos principais responsáveis pelo aumento das emissões no último ano. Enquanto as outras 20 maiores economias do mundo reduziram sua poluição de carbono ou desaceleraram o crescimento das emissões, o país norte-americano seguiu em trajetória de alta.
O aumento nas emissões dos Estados Unidos foi de 133 megatoneladas de CO2 equivalente. Esse volume superou significativamente o de todas as outras nações, sendo impulsionado pela maior demanda por eletricidade e pelo retorno do uso de carvão na geração de energia.
Em 2025, um grupo de 124 países registrou aumento nas emissões, totalizando 189 milhões de toneladas de dióxido de carbono adicionadas à atmosfera. O relatório destaca que 70% desse aumento global foi proveniente dos Estados Unidos.
A situação contrasta com o desempenho de 63 países, em sua maioria nações europeias, que conseguiram reduzir suas emissões. O documento reforça que a expansão de energias renováveis e políticas climáticas tem tido efeito em diversas regiões, mas não de forma suficiente para reverter a tendência global.
O cientista climático Bill Hare, CEO da Climate Analytics, afirmou que o aumento nos Estados Unidos foi impulsionado por subsídios ao carvão e resistência às energias renováveis. Hare, que não participou do relatório, classificou os dados da ONU como cientificamente sólidos.
Quais são as metas climáticas?
Os novos cálculos indicam que, se os países cumprirem integralmente as promessas de combate ao clima apresentadas às Nações Unidas, o planeta deve aquecer 2,6 graus Celsius até o ano de 2100. Esse valor já ultrapassa as metas estabelecidas pelos acordos internacionais.
Caso o mundo siga na trajetória atual, sem o cumprimento das promessas nacionais, a projeção é de um aquecimento de 2,8 graus Celsius até o final do século. Ambos os cenários excedem o limite de 2 graus Celsius definido pelo Acordo de Paris, de 2015.
O objetivo ideal do pacto climático é limitar o aquecimento a 1,5 grau Celsius. No entanto, o mundo já registra um aumento de cerca de 1,4 grau Celsius em relação aos níveis pré-industriais, aproximando-se do limite crítico.
Como a ONU planeja conter o aquecimento?
Autoridades da ONU admitiram que a meta de 1,5 grau Celsius dificilmente será alcançada. O novo foco das agências internacionais é tentar limitar o aquecimento a cerca de 1,8 grau Celsius como uma medida de contenção imediata.
A estratégia consiste em estabilizar a temperatura nesse patamar e, posteriormente, remover dióxido de carbono da atmosfera em escala suficiente para retornar aos níveis de 1,5 grau. A medida é vista como uma tentativa de reduzir os danos causados pelo aquecimento.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que o mundo está ficando "perigosamente aquém" das metas necessárias. Contudo, o dirigente afirmou que a humanidade ainda possui as ferramentas necessárias para mudar o rumo e evitar o pior cenário climático.
