Fundador do Ueno Bank é indiciado em escândalo financeiro que levou à renúncia de presidente no Paraguai
Investigações apontam empréstimos irregulares e gestão fraudulenta no banco digital que culminaram na renúncia do presidente Santiago Peña.
Por Redação Diário Local
O empresário Federico Miguel Vázquez Villasanti, de 36 anos, fundador do Ueno Bank e presidente do Grupo Vázquez, foi indiciado em investigações criminais sobre um escândalo financeiro e político no Paraguai. O caso envolve suspeitas de gestão fraudulenta, enriquecimento ilícito e irregularidades em uma carteira de crédito de dezenas de milhões de dólares.
O Ministério Público paraguaio incluiu Vázquez entre as 27 pessoas indiciadas nas apurações conduzidas até esta quinta-feira (5). O escândalo financeiro foi um dos fatores determinantes para a renúncia do presidente paraguaio Santiago Peña, anunciada também nesta quinta-feira (5), após o início de um processo de impeachment.
Vázquez é o 1º vice-presidente e o acionista majoritário do Ueno Bank, detendo 75,94% do capital e 94,02% dos direitos de voto do Grupo Vázquez. O conglomerado controla 28 empresas em seis setores, incluindo seguros, mídia, agropecuária e tecnologia, com operações por meio de holdings em Luxemburgo e no Paraguai.
A crise financeira do banco digital resultou na determinação de liquidação judicial pelo Banco Central do Paraguai. A decisão ocorreu após fiscalizações da Superintendência de Bancos constatarem que o índice de solvência da instituição havia caído para menos de 50% do limite legal exigido.
As investigações apontam que o banco concedeu mais de US$ 146 milhões em empréstimos irregulares, acima dos limites regulatórios, para empresas vinculadas ao próprio grupo controlador de Vázquez. O Ueno Bank era o principal ativo do conglomerado, sendo responsável por cerca de 59% do EBITDA (lucro operacional) do grupo.
Em rápida ascensão, a instituição transformou-se em banco digital e, em 2023, alcançou aproximadamente 3 milhões de clientes, o equivalente a cerca de metade da população paraguaia. Naquele período, o banco acumulava cerca de US$ 2,8 bilhões em depósitos.
Atualmente, o Banco Central do Paraguai trabalha para realizar o ressarcimento dos depósitos de pequenos poupadores que foram afetados pelo encerramento das operações do banco digital.
Por que o escândalo afetou o governo paraguaio?
A relação entre o Ueno Bank e o governo de Santiago Peña tornou-se o centro de suspeitas de favorecimento regulatório e conflito de interesses. O presidente paraguaio foi acionista do Grupo Vázquez até março de 2025, antes de assumir o cargo, e a oposição levanta suspeitas de acobertamento de infrações.
Uma das principais frentes de investigação aponta a transferência irregular de fundos de aposentadoria do Instituto de Previsão Social para o banco. Além disso, o governo é questionado pela nomeação de Carlos Carvallo para a presidência do Banco Central, uma vez que o economista ocupou a presidência do Ueno Bank até agosto de 2023.
O cenário de instabilidade financeira e as acusações de irregularidades politicamente ligadas culminaram no julgamento de impeachment de Peña. O processo resultou no anúncio de sua renúncia em meio ao crescente descontentamento com a gestão das instituições financeiras do país.
Vázquez, que possui formação pela Incae Business School e passagens por instituições como Harvard e Universidade de Miami, liderava a expansão das empresas familiares nos setores de tecnologia e finanças. Com o indiciamento, o foco das autoridades agora recai sobre a recuperação de dezenas de milhões de dólares pendentes na carteira de crédito do banco.
As autoridades paraguaias seguem com as apurações para identificar a extensão do enriquecimento ilícito e os danos causados à estabilidade do sistema bancário local. O caso permanece sob monitoramento do Ministério Público e das autoridades reguladoras do Paraguai.
