Subsecretária dos EUA classifica regra eleitoral do Brasil como censura
Subsecretária de Estado dos Estados Unidos criticou novo mecanismo do X que limita recomendação de perfis de candidatos no Brasil
Por Redação Diário Local
A subsecretária de Estado para Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Sarah B. Rogers, classificou como "censura imposta pelo Brasil" uma regra eleitoral que obrigou a rede social X a alterar seu sistema de recomendações para as eleições de 2026. A declaração ocorreu após a plataforma divulgar a implementação de um filtro algorítmico voltado especificamente para o pleito brasileiro.
A medida foi anunciada neste domingo (16), após o X apresentar uma nova versão de seu código de recomendações. O novo mecanismo, denominado "Brazil2026ElectionFilter", tem como objetivo controlar a distribuição de conteúdos de candidatos durante o período eleitoral.
O filtro impede que publicações de contas oficiais de candidatos, previamente informadas à Justiça Eleitoral, sejam sugeridas no feed "Para Você" para usuários que não seguem esses perfis. A plataforma ressalta que as postagens não são removidas do sistema.
De acordo com o comunicado da rede social, o conteúdo dos candidatos permanece disponível em suas respectivas páginas. O X afirmou que a alteração está sendo feita em "estrito cumprimento" de resoluções vigentes para o processo eleitoral.
A empresa também reconheceu que o novo sistema deve impactar diretamente o alcance e a visibilidade das publicações feitas pelos perfis oficiais. A mudança altera a forma como o algoritmo entrega conteúdos de interesse político aos usuários da rede.
Sarah B. Rogers utilizou a própria plataforma para criticar a atualização. Em sua publicação, a subsecretária americana afirmou que a transparência algorítmica evidenciada pelo código deixa explícita a censura imposta pelo governo brasileiro.
O episódio ocorre em um momento de crescente tensão diplomática entre Washington e Brasília. As relações entre os dois países enfrentam um período de instabilidade e críticas mútuas em diversas áreas.
Recentemente, o governo dos Estados Unidos adotou medidas de pressão contra o Brasil, como a elevação de tarifas sobre produtos brasileiros. Além disso, houve a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.
O governo americano tem mantido um discurso crítico em relação a decisões do Judiciário brasileiro, especialmente no que envolve a liberdade de expressão e o papel das plataformas digitais no país.
No mês passado, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, intensificou o embate ao acusar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva de agir de "má-fé" durante as negociações comerciais entre as duas nações.
Rubio utilizou as redes sociais para declarar que o atual governo brasileiro não negociaria com os Estados Unidos de maneira honesta. A declaração do secretário americano funcionou como um agravante na crise diplomática.
Em resposta às críticas e ao aumento das tarifas comerciais, o presidente Lula rebateu as falas de Rubio. O presidente brasileiro classificou o secretário de Estado como um "latino-americano frustrado".
Lula afirmou que Rubio possui um posicionamento hostil ao Brasil e à América Latina. Segundo o presidente, as declarações do secretário refletem uma visão de mundo que atenta contra os interesses da região.
O presidente brasileiro também associou o posicionamento de Rubio ao apoio que o secretário daria a setores políticos opostos ao seu governo. O embate verbal entre as autoridades marca um novo capítulo no desgaste das relações bilaterais.
