Embaixador dos EUA classifica ataques de Israel na Síria como 'escalada desnecessária'
Embaixador Tom Barrack afirmou que ofensiva contra base aérea em Idlib não contribui para a estabilidade regional na Síria.
Por Redação Diário Local
Ataques aéreos realizados por Israel atingiram a base aérea de Abu Duhur, no noroeste da Síria, na madrugada desta terça-feira (18). Segundo a TV estatal síria, a ofensiva causou danos materiais na pista da base, localizada na província de Idlib, mas não deixou vítimas.
O embaixador dos Estados Unidos na Turquia e enviado especial para a Síria, Tom Barrack, classificou a ação como uma "escalada desnecessária". O diplomata afirmou, por meio da rede social X, que Washington está profundamente preocupada com o episódio e que a ofensiva não contribui para a estabilidade da região.
De acordo com informações da mídia estatal síria, foram registrados oito ataques direcionados especificamente à pista da base aérea de Abu Duhur. Até o momento, as Forças Armadas de Israel não emitiram comentários sobre a operação, e autoridades turcas também não responderam prontamente aos pedidos de informação.
Histórico e reabilitação da base
O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, organização de monitoramento sediada no Reino Unido, detalhou o histórico do local. Segundo a entidade, a base vinha sendo reabilitada pela Turquia, que é um dos principais apoiadores do governo sírio, após passar anos fora de operação devido ao conflito civil no país.
A organização informou ainda que combatentes estrangeiros costumavam permanecer na base, mas foram orientados a deixar o local recentemente. O conflito na Síria, que já causou a morte de quase meio milhão de pessoas, segue com focos de instabilidade após as mudanças de comando no país.
A Turquia, que atua como um ator central na reabilitação de infraestruturas militares sírias, ainda não se posicionou sobre o impacto dos ataques na base de Idlib. O silêncio das autoridades turcas acompanha o de Israel sobre a motivação direta da incursão aérea.
Posicionamento dos Estados Unidos
Em sua declaração, o enviado especial Tom Barrack destacou que o governo do presidente interino da Síria, Ahmad al-Sharaa, não adotou uma postura predatória nem manteve forças de procuração. Segundo o embaixador, o governo sírio tem indicado reiteradamente a preferência por uma desescalada nas relações com Israel.
O diplomata reforçou o papel mediador dos Estados Unidos ao afirmar que o país já sediou e continuará sediando discussões para incentivar a "cadência diplomática" em vez de conflitos cinéticos. O objetivo é buscar uma resolução por meio do diálogo entre os dois países.
A ofensiva desta terça-feira (18) acontece em um momento de transição política sensível na Síria. A reabilitação de bases militares, como Abu Duhur, tornou-se um ponto de atrito entre as potências regionais e internacionais envolvidas no cenário sírio.
Tensões desde a queda de Assad
As tensões entre Israel e a Síria aumentaram significativamente após a queda do governo de Bashar Assad, ocorrida em dezembro de 2024. Na ocasião, insurgentes avançaram até o centro do poder em Damasco, alterando o equilíbrio de forças na região.
Desde a mudança de regime, Israel tem realizado centenas de ataques aéreos em diferentes pontos do território sírio. O objetivo dessas operações é destruir ativos do Exército sírio e evitar que equipamentos e recursos militares caiam nas mãos dos novos sucessores de Assad.
Apesar das novas autoridades em Damasco afirmarem que não buscam um conflito com Israel, o clima de desconfiança persiste. O governo formado por ex-insurgentes islamistas ainda enfrenta resistência e receio por parte do governo israelense.
O histórico de ataques na região é recorrente e marcado por violência. No ano passado, ofensivas envolvendo o uso de drones israelenses contra um subúrbio ao sul de Damasco resultaram na morte de oito soldados e deixaram outros feridos.
O cenário permanece sob vigilância para a comunidade internacional, que busca evitar que a instabilidade na fronteira síria se transforme em uma guerra regional de maior escala. A diplomacia liderada por Washington tenta conter o avanço das hostilidades no terreno.
