Chefe de gabinete de Milei pede que governo brasileiro não exagere após falas contra Lula
Diego Santilli afirmou que governo brasileiro não deve exagerar após Milei chamar Lula de 'ladrão' e Moraes de 'lixo'.
Por Redação Diário Local
O chefe de Gabinete de Javier Milei, Diego Santilli, minimizou, nesta segunda-feira (27), as ofensas proferidas pelo presidente argentino contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em declaração, Santilli pediu que o governo brasileiro "não exagere" sobre as falas feitas pelo mandatário argentino durante visita ao Brasil.
As declarações de Milei ocorreram no último sábado (25), durante um evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, o presidente argentino chamou Lula de "presidiário" e "ladrão", além de dirigir termos ofensivos ao ministro Alexandre de Moraes, referindo-se a ele como "lixo".
Santilli alegou que o governo brasileiro utilizou a visita para tentar fazer campanha na Argentina. O político argentino afirmou que o governo Lula enviou assessores ao país para apoiar o candidato Sergio Massa durante as eleições de 2023, corroborando a versão do presidente argentino sobre a tentativa de interferência política.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) emitiu uma nota oficial de repúdio às falas. O Itamaraty classificou o episódio como "infamante" e destacou que não há precedentes de um presidente estrangeiro proferir ofensas contra um chefe de Estado, instituições democráticas e o povo brasileiro enquanto estiver em território nacional.
Como medida de resposta diplomática, o governo brasileiro convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos em Brasília. A gestão brasileira vê o gesto como uma forma de repúdio institucional aos ataques proferidos contra as autoridades do país.
O Itamaraty também ressaltou o peso das declarações para a relação bilateral, lembrando que a Argentina é o principal sócio comercial do Brasil e que os dois países mantêm 203 anos de cooperação histórica.
A Casa Rosada também questionou o fato de Milei ter sido impedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime de prisão domiciliar. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes já havia julgado o pedido prejudicado, uma vez que vigora a proibição de visitas de natureza política a Bolsonaro até o fim das eleições de 2026.
De acordo com informações de fontes da Casa Rosada, o governo argentino não pretende apresentar uma retratação oficial sobre as declarações feitas por Javier Milei durante a jornada no Brasil.
