Grupos digitais inspirados em mobilização de esquerda no Brasil ganham força em três países
Canais de WhatsApp baseados em estratégia de mobilização digital somam 270 mil seguidores na Argentina, França e Espanha.
Por Redação Diário Local
Grupos de mensagens inspirados na estratégia de mobilização digital utilizada no Brasil ganharam força na Argentina, na França e na Espanha. Os chamados “exércitos digitais” operam via canais de WhatsApp e já somam mais de 270 mil seguidores em conjunto.
A estrutura funciona por meio do envio de comunicados, tarefas e conteúdos para que os membros os compartilhem e comentem em massa nas redes sociais. O modelo replica a tática de mobilização da esquerda observada no segundo turno das eleições brasileiras, capitaneada pelo deputado André Janones (Rede-MG).
Na Argentina, o canal "Ejército del Peronismo", que apoia o peronismo e atua contra Javier Milei, publicou um vídeo nesta sexta-feira (30). O material tratava da proibição de casas de apostas online no Brasil e solicitava que os seguidores utilizassem a hashtag #mileiaprendacomlula para a divulgação nas redes.
Na França, o grupo "L’équipe de Mélenchon officielle" registrou um crescimento acelerado de audiência. Na tarde de terça-feira (27), o canal contava com 30 mil seguidores; até a última sexta-feira (30), o grupo já havia ultrapassado a marca de 160 mil membros.
O canal francês envia postagens do líder de esquerda Jean-Luc Mélenchon com instruções para compartilhamento em massa. Antoine Léaument, chefe de comunicação do partido LFI (França Insubmissa), chegou a publicar um vídeo direcionado especificamente aos brasileiros que integram o grupo.
A movimentação ocorre em países que se aproximam de períodos eleitorais. Na Espanha, o presidente Pedro Sánchez antecipou as eleições para o dia 29 de novembro deste ano, em meio a uma crise habitacional e derrota no parlamento.
Na França, o calendário para a próxima eleição presidencial prevê o primeiro turno em 18 de abril de 2027 e o segundo turno em 2 de maio de 2027. O país enfrenta atualmente uma onda de protestos devido ao alto custo de vida.
Já na Argentina, a legislação eleitoral estabelece que o pleito deve ocorrer no próximo mês de outubro. Em todos os três países, os grupos buscam intensificar a presença digital conforme o clima de disputa política.
