Hamas aceita desarmamento em Gaza, mas futuro de palestinos depende de retirada de Israel
Grupo palestino concorda com a desmilitarização, mas acordo exige que Israel retire tropas da Faixa de Gaza para avançar.
Por Redação Diário Local
O grupo Hamas e outras facções palestinas concordaram com o desarmamento na Faixa de Gaza, mas o futuro dos mais de 2 milhões de habitantes da região permanece incerto. A medida faz parte da segunda fase de um pacto de paz mediado pelos Estados Unidos, estabelecido em outubro de 2025, que prevê obrigações para o lado israelense e para os grupos palestinos.
A aceitação da desmilitarização e a dissolução do governo do Hamas em Gaza visam abrir espaço para uma administração transitória de caráter civil. O processo, no entanto, depende do cumprimento de condições específicas estabelecidas no tratado de paz.
Quais são as condições para o avanço do acordo?
A implementação da desmilitarização do grupo palestino está juridicamente condicionada à retirada das tropas de Israel da Faixa de Gaza. Sem a saída das forças de defesa israelenses, o avanço da segunda fase do pacto fica travado.
Um porta-voz do Hamas, baseado na Jordânia, declarou que o grupo teme que o governo de Benjamin Netanyahu não cumpra a exigência de retirada. De acordo com Khaled Qaddoumi, a administração israelense teria descumprido pontos do acordo assinado há cerca de nove meses, como a continuidade de bombardeios no enclave, mesmo sob cessar-fogo.
O porta-voz afirmou que a aprovação para buscar uma solução para as armas partiu de um consenso entre diferentes facções palestinas, sob a condição de que Israel interrompa as mortes, saia de Gaza, abra as fronteiras para ajuda humanitária e permita o exercício do poder local por um comitê nacional.
O impasse no lado de Israel
Em Israel, a possibilidade de retirada militar é alvo de resistência. Autoridades do país defendem que a saída das tropas só deve ser considerada após uma desmilitarização "genuína" do grupo palestino.
Setores mais conservadores do governo israelense também se posicionam contra a proposta. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, criticou o plano e defendeu a continuidade das operações contra o grupo palestino.
O embaixador da Palestina no Brasil, Marwan Jebril Burini, ressaltou que o futuro dos palestinos depende da seriedade de ambos os lados em cumprir o plano. Segundo o diplomata, se o desarmamento ocorrer sem a retirada das tropas, ou vice-versa, o risco de um novo ciclo de violência é alto.
