Proprietário de boate incendiada na Suíça acusa ex-dono de saber sobre reformas em interrogatório
Jacques Moretti, investigado por incêndio que matou 41 pessoas, afirmou em depoimento que o ex-gestor conhecia as obras de 2015.
Por Redação Diário Local
Jacques Moretti, coproprietário da boate Le Constellation, acusou o ex-proprietário do estabelecimento, Julien Beytrison, de ter pleno conhecimento das reformas realizadas no imóvel em 2015. O depoimento ocorreu nesta segunda-feira (2), em Sion, durante o interrogatório sobre o incêndio ocorrido em Crans-Montana, na Suíça, que resultou na morte de 41 pessoas e deixou 115 feridos durante as celebrações de Ano Novo.
Segundo o investigado, Beytrison tinha ciência das obras feitas tanto no subsolo, onde foram instaladas espumas para isolamento acústico, quanto na área destinada a fumantes. Moretti contestou declarações de julho, quando Beytrison afirmou ter tido poucas informações técnicas ou financeiras sobre as reformas realizadas durante sua gestão.
O empresário afirmou que, embora tenha supervisionado pessoalmente os trabalhos de reforma, não cuidou dos aspectos administrativos. Moretti alegou que, na época das obras, não era o proprietário nem o locatário do imóvel, afirmando que a relação contratual só teria iniciado posteriormente.
Moretti declarou ainda que Beytrison havia encarregado um profissional de Crans-Montana para tratar das questões burocráticas. Sobre a reforma em si, o suspeito argumentou que, como não houve mudança na finalidade de uso ou alteração no volume do imóvel, não foram necessárias autorizações específicas.
O que dizem as investigações
O casal Jacques e Jessica Moretti é o principal suspeito pelo incêndio na casa noturna. Jacques Moretti cumpre prisão preventiva em Sion sob acusação de violência doméstica e também é investigado por lavagem de dinheiro. Um relatório do Escritório Federal de Polícia (Fedpol) apontou movimentações anômalas e transações opacas em suas contas bancárias.
A esposa de Moretti, Jessica, também é investigada pelo caso, mas será ouvida em uma audiência futura. O Ministério Público de Valais desistiu de confrontar o casal durante o depoimento desta segunda-feira (2), o que levou à decisão de realizar a oitiva da mulher em outro momento.
Reação dos familiares
Parentes das vítimas acompanharam o interrogatório em Sion e rejeitam a classificação do evento como uma tragédia. Para os familiares, o ocorrido deve ser tratado como um homicídio por negligência, sob o argumento de que o desastre poderia ter sido previsto.
Laetitia Brodard-Sitre, mãe de uma das vítimas, afirmou que o termo "tragédia" remete a eventos inesperados ou desastres naturais, o que não se aplicaria ao caso. Segundo ela, não houve um evento inesperado, mas sim um crime que poderia ter sido evitado.
