Israel admite que militares dispararam contra carro com criança de 5 anos em Gaza
Forças de Defesa de Israel ordenaram investigação sobre morte de Hind Rajab, de 5 anos, ocorrida em janeiro de 2024.
Por Redação Diário Local
As Forças de Defesa de Israel (IDF) determinaram, nesta quarta-feira (19), a abertura de uma investigação criminal sobre o assassinato da menina palestina Hind Rajab, de 5 anos, em Gaza. O caso ocorreu em janeiro de 2024 e marca a primeira vez que o governo israelense reconhece que seus militares abriram fogo contra o veículo que transportava a criança e sua família.
Segundo comunicado das IDF, a decisão foi tomada após análises do Mecanismo de Apuração de Fatos e Avaliação sobre incidentes operacionais ocorridos em Gaza desde 7 de outubro de 2023. A investigação concluiu que as tropas dispararam contra o carro da família Hamada no momento em que o automóvel se aproximava das forças, seguindo na direção oposta à rota de evacuação divulgada na época.
A ação militar resultou na morte imediata de cinco ocupantes do veículo. No momento do ataque, as únicas sobreviventes no automóvel eram a pequena Hind Rajab e sua prima, Layan. As duas crianças chegaram a realizar chamadas de emergência para solicitar socorro após o primeiro incidente.
Uma equipe de resgate do Crescente Vermelho Palestino foi enviada ao local para prestar assistência às sobreviventes. Contudo, ao alcançar o ponto do incidente, a ambulância também foi atingida por disparos, o que causou a morte instantânea dos dois paramédicos que realizavam o atendimento.
Dias após o ocorrido, equipes de resgate conseguiram retornar ao local para a retirada dos corpos. Foram encontrados os sete integrantes da família Hamada, incluindo as crianças Hind e Layan, além dos corpos dos dois socorristas dentro da ambulância destruída.
A abertura do inquérito também abrange a morte de outros 15 palestinos em Tel al-Sultan, ocorrida em março de 2025. A medida faz parte de um processo de avaliação de diversos episódios de grande repercussão durante o conflito em território palestino.
Em contrapartida, o exército israelense isentou membros de suas forças de responsabilidade criminal pelo ataque contra o comboio humanitário da World Central Kitchen. O incidente, ocorrido em abril de 2024, resultou na morte de sete funcionários da organização internacional durante o descarregamento de alimentos.
O comando militar também decidiu pelo arquivamento de processos relativos aos assassinatos de quatro funcionários da organização Médicos Sem Fronteiras. Os ataques contra os profissionais ocorreram em áreas de Gaza e Khan Younis.
