Israel acusa Hezbollah de violar cessar-fogo após ataque contra militares no Líbano
Governo israelense afirmou que o grupo realizou ataque contra soldados; bombardeio em resposta deixou mortos no sul do Líbano
Por Redação Diário Local
O governo de Israel acusou o grupo xiita Hezbollah de violar o acordo de cessar-fogo no Líbano após um ataque que deixou três militares israelenses gravemente feridos. A acusação foi divulgada neste sábado (15) pelo escritório do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Em resposta ao episódio, as Forças de Defesa de Israel (FDI) realizaram bombardeios contra uma instalação do grupo na região de Ansar, ao sul do território libanês. Segundo o gabinete de Netanyahu, o alvo foi o quartel-general da Força Radwan, unidade de elite do Hezbollah que teria ordenado o ataque contra os soldados.
O Exército israelense informou que o comandante de batalhão Ali Samir Al Haj Hassan morreu durante a operação. Israel afirmou ainda que familiares do comandante estavam no local e ficaram feridos, mas sustentou que a população civil não era o alvo e acusou o Hezbollah de utilizar civis como escudos humanos.
O incidente chamou a atenção por ser divulgado diretamente pelo gabinete do primeiro-ministro em inglês, fugindo do padrão de comunicações habituais das FDI sobre ferimentos de soldados. O Hezbollah, por sua vez, solicitou ao governo do Líbano medidas para interromper as incursões israelenses no país.
Mortes e impacto em civis
Segundo informações da Agência Nacional de Notícias (ANN) do Líbano, os bombardeios nas localidades de Ansar e Deir Zahrani deixaram pelo menos 11 mortos, incluindo mulheres e crianças. O presidente libanês, Joseph Aoun, condenou as ações e afirmou que elas violam o acordo de cessar-fogo e o direito internacional humanitário.
Em comunicado, o presidente libanês relatou que famílias inteiras foram mortas durante os ataques. O governo libanês reforça que o direito internacional estabelece a proteção de civis em cenários de conflito, o que estaria sendo desrespeitado pelas operações militares.
Trégua negociada pelos EUA
Israel e Líbano haviam firmado, ao fim de junho, um acordo-quadro mediado pelos Estados Unidos para interromper as hostilidades. O pacto previa a interrupção dos combates enquanto as partes negociavam uma solução de longo prazo para a região.
Entre as cláusulas do acordo, está a retirada gradual das tropas israelenses de áreas ocupadas no sul do Líbano, chamadas de "zonas piloto". Embora a violência tenha diminuído após o pacto, autoridades libanesas afirmam que Israel manteve operações militares na área.
A nova troca de acusações entre as partes aumenta a instabilidade sobre a trégua. O objetivo do acordo é manter a redução dos confrontos enquanto avançam as negociações para uma resolução permanente do conflito entre Israel e o Hezbollah.
