Diário Local
Mundo

Militar que previu ataques ao World Trade Center salvou quase 3 mil pessoas e morreu em Nova York

Rick Rescorla antecipou riscos de novos atentados e liderou a evacuação da Torre Sul durante os ataques de 11 de setembro de 2001

Por Redação Diário Local

O coronel Rick Rescorla salvou 2.687 pessoas durante os ataques terroristas ao World Trade Center, em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001. O militar, que atuava na área de segurança da corretora de valores, antecipou a possibilidade de novos atentados e implementou protocolos de evacuação que foram decisivos para a sobrevivência de milhares de trabalhadores.

Rescorla, que teve carreira militar no Reino Unido e nos Estados Unidos, incluindo atuação na Guerra do Vietnã, trabalhava para a empresa que ocupava escritórios nas Torres Gêmeas. Sua preocupação com a segurança do complexo aumentou após episódios de violência, como a explosão de um avião da Pan Am em 1988 e o atentado com um caminhão-bomba no subsolo das torres, em 1993.

O militar chegou a alertar sobre a possibilidade de um ataque envolvendo aviões, mas as medidas de segurança enfrentaram resistência de alguns funcionários que consideravam o treinamento excessivo. Mesmo assim, ele insistiu em realizar exercícios de retirada rápida pelo menos duas vezes por ano para assegurar a agilidade em casos de emergência.

O plano de evacuação criado por Rescorla previa que os trabalhadores deixassem as mesas aos poucos e em duplas, evitando o congestionamento das escadas de emergência. A estratégia visava mitigar o risco de um ataque que poderia utilizar aeronaves para transportar explosivos ou armas químicas e biológicas contra o símbolo econômico dos Estados Unidos.

O que aconteceu no dia dos ataques?

No dia 11 de setembro de 2001, Rescorla estava no escritório quando ouviu a primeira explosão que atingiu uma das torres, às 8h46. Ele iniciou imediatamente o plano de evacuação, contrariando orientações da administração do complexo de que o prédio permaneceria seguro e que os trabalhadores deveriam permanecer nos locais.

Menos de 20 minutos após o primeiro impacto, um segundo avião atingiu a Torre Sul, onde a empresa da qual ele fazia parte ocupava 22 andares. Diante da confirmação do atentado, o militar manteve a coordenação para que os trabalhadores deixassem o edifício com segurança, mesmo sob o risco de desabamento iminente.

O sacrifício de Rick Rescorla

Segundo dados do Exército dos Estados Unidos, a liderança de Rescorla permitiu que 2.687 pessoas fossem retiradas do local. Relatos indicam que ele foi visto pela última vez subindo as escadas do World Trade Center, com o objetivo de garantir que todos os seus colegas tivessem abandonado o prédio com segurança.

De acordo com o Memorial do nesta sexta-feira (11), o militar e outros 12 funcionários não conseguiram sair a tempo do desabamento das torres. Rescorla foi declarado morto três semanas após os ataques e seus restos mortais não foram encontrados, conforme informações oficiais do Exército norte-americano.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.