Mudanças nas regras de armas nos EUA podem facilitar acesso de facções brasileiras a fuzis
Governo Trump estuda facilitar comércio online de armamentos, o que pode ampliar o tráfico internacional para organizações como PCC e CV.
Por Davy Albuquerque
O governo de Donald Trump estuda mudanças na regulamentação do comércio de armas nos Estados Unidos que podem facilitar o acesso de organizações criminosas brasileiras a armamentos pesados, como fuzis.
O Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF) apresentou 34 propostas de alterações que estão em tramitação. Entre as mudanças, está a possibilidade de realizar o comércio de armas de forma totalmente online, eliminando a necessidade de o comprador comparecer a uma loja física para a conferência presencial de seus antecedentes criminais.
Com as novas regras, a verificação passaria a ser feita apenas de forma digital, permitindo inclusive a entrega de armamentos por serviços de correio, sem a interação direta entre vendedor e comprador.
O impacto no tráfico para o Brasil
A facilitação do comércio pode alimentar o tráfico internacional e o suprimento de facções brasileiras. O país é um dos principais destinos de armas fabricadas nos Estados Unidos, que são frequentemente enviadas de forma irregular para o território brasileiro.
Uma das modalidades comuns é o envio de armas compradas legalmente nos EUA e posteriormente traficadas dentro de mercadorias comuns. Em maio, um fuzil AK-47 enviado da Flórida foi flagrado pela inspeção alfandegária no Aeroporto de Viracopos, escondido dentro de um forno.
Em março do ano passado, a Receita Federal localizou 30 fuzis desmontados e camuflados em prensas hidráulicas no mesmo aeroporto, com destino a estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Outra rota frequente é a fronteira sul. No mês passado, a Polícia Rodoviária Federal realizou no Paraná a maior apreensão de fuzis de sua história, com 26 unidades apreendidas, das quais 22 eram da marca americana Colt.
Classificação de facções como terroristas
A discussão sobre o tráfico ocorre no contexto da decisão da administração Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. O governo do Brasil classificou a medida como equivocada.
Para pesquisadores do setor, o principal problema reside no caráter altamente permissivo do mercado civil de armas nos Estados Unidos. De acordo com o projeto Stop US Arms to Mexico, muitas transações suspeitas são legalmente realizadas por pessoas sem antecedentes criminais que compram armas para grupos criminosos.
Além disso, a administração americana revogou, em setembro de 2025, restrições que dificultavam a exportação de armamentos civis para 36 países considerados sensíveis, como o Paraguai e a Colômbia, visando criar oportunidades de exportação para a indústria armamentista dos EUA.
