Diário Local
Conflito no Irã

EUA podem sofrer falta de munições essenciais em novos ataques ao Irã, alerta analista

Analista estima que os Estados Unidos utilizaram entre um terço e metade de seus estoques principais de munições durante o conflito.

Por Davy Albuquerque

Os Estados Unidos podem enfrentar uma escassez de munições essenciais após utilizarem entre um terço e metade de seus principais estoques no conflito com o Irã. A estimativa foi divulgada pelo coronel da Marinha aposentado e analista de defesa do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), Mark Cancian.

Segundo o especialista, as Forças Armadas americanas utilizaram milhares de mísseis tanto para ataques de precisão de longo alcance quanto para a defesa contra investidas inimigas. O consumo acelerado ocorre durante a fase inicial do confronto direto entre as duas nações.

O uso de sistemas de defesa aérea tem sido um dos pontos de maior pressão sobre o arsenal dos EUA. Cancian destacou que já foram utilizados mais de mil mísseis Patriot, sistema composto por lançadores, radares e interceptores, para conter os ataques.

O sistema Patriot possui um custo elevado, superior a US$ 1 bilhão, e tem uma capacidade de produção limitada. De acordo com o Departamento de Defesa dos EUA, são fabricadas apenas 600 unidades por ano, o que dificulta o atendimento à demanda interna e de aliados, como a Ucrânia.

Explosões e ataques no Irã

Enquanto o estoque é questionado, o cenário militar se intensifica na região. Cinco explosões foram registradas nesta terça-feira (14) na parte oeste de Bandar Abbas, importante cidade portuária na costa iraniana, conforme informou a emissora estatal IRIB.

A cidade já havia sofrido ataques na segunda-feira (13), quando um projétil atingiu a região oeste. Os militares dos Estados Unidos confirmaram a realização de uma terceira noite de bombardeios que atingiu diversos alvos em todo o território iraniano, incluindo Bushehr, Chabahar, Jask, Konarak e Abu Musa.

Em resposta à ofensiva, o Irã lançou ataques contra o Bahrein. Segundo fontes militares citadas pela agência Petra, os sistemas de defesa aérea do país vizinho conseguiram abater quatro mísseis disparados pelos iranianos.

Bloqueio naval e novas taxas

O Comando Central dos EUA informou que retomará oficialmente o bloqueio naval aos portos iranianos nesta terça-feira (14), às 17h (horário de Brasília). A medida visa controlar a movimentação de navios que entram e saem das instalações portuárias do país.

No âmbito político, o presidente americano Donald Trump propôs a implementação de um pedágio de 20% sobre o valor de todas as cargas transportadas pela via, com o objetivo de custear a segurança. A proposta, porém, carece de detalhes sobre como será executada.

A viabilidade da taxação é alvo de debate em Washington. No mês passado, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a ideia de cobrar esse percentual sobre as cargas seria inviável.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.