Rússia critica pressão dos Estados Unidos sobre países da América Latina e África
Chanceler Sergey Lavrov afirma que os Estados Unidos atuarão como rivais de Moscou e critica o uso de tarifas para pressionar parceiros comerciais.
Por Redação Diário Local
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que os Estados Unidos continuarão sendo, na melhor das hipóteses, rivais de Moscou. Durante encontro com novos diplomatas russos, o chanceler criticou a pressão exercida pelo governo de Donald Trump sobre nações da África e da América Latina.
Lavrov declarou que o Kremlin não espera uma mudança de postura por parte de Washington e afirmou que os norte-americanos "não estão preparados para uma competição justa". Segundo o ministro, os Estados Unidos atuam como rivais ou até oponentes de Moscou.
O chanceler acusou o governo dos Estados Unidos de utilizar instrumentos econômicos para defender interesses próprios e pressionar outros países. Entre as medidas citadas estão o aumento de tarifas, de fretes e de seguros para influenciar escolhas internacionais.
Um dos pontos centrais da crítica de Lavrov foi a aplicação da Graham Act, legislação sancionada por Trump em setembro. A norma prevê sanções e tarifas contra a Rússia e também contra países que compram petróleo e gás russos.
De acordo com a lei, é possível aplicar tarifas de até 100% sobre produtos de grandes importadores dessas commodities. Para mercadorias russas, as taxas podem chegar a 500%, conforme as condições estabelecidas pela normativa.
Na última sexta-feira (17), o presidente Donald Trump suspendeu a aplicação de algumas medidas previstas na lei. Trump alegou que a decisão atendia aos interesses nacionais dos Estados Unidos, mas ressaltou que a pressão econômica poderia ser reconsiderada no futuro.
Lavrov rejeitou a ideia de que a suspensão das sanções represente um sinal de aproximação entre as duas potências. Para o ministro russo, a medida foi motivada por preocupações internas de curto prazo com os preços da energia e a entrada de diesel russo nos mercados.
A decisão de suspender as sanções ocorreu dias após o anúncio de um acordo para a compra de combustível da Rússia. Para o governo russo, a postura de Washington reforça a percepção de que os Estados Unidos utilizam ferramentas econômicas para moldar as relações de seus parceiros internacionais.
