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Alemanha

Eleição na Saxônia-Anhalt pode levar partido de direita radical ao poder estadual inédito na Alemanha

Partido liderado por Ulrich Siegmund disputa maioria no parlamento da Saxônia-Anhalt e desafia o governo federal.

Por Redação Diário Local

A Alemanha realiza neste domingo (06) uma eleição de grande impacto no estado da Saxônia-Anhalt, onde o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) busca garantir a maioria no parlamento regional. Caso conquiste a maioria absoluta, a sigla de direita radical assumirá o poder estadual pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

A disputa ocorre em um cenário de insatisfação de parte do eleitorado com a economia, os altos custos de energia e a política de imigração. O crescimento do AfD também reflete o descontentamento com o governo federal, liderado pelo chanceler Friedrich Merz (CDU), que enfrenta desafios para consolidar seu mandato e tem sido alvo de vaias em aparições públicas.

O principal candidato do AfD no estado, o ator de 35 anos Ulrich Siegmund, tem centralizado as discussões políticas. A popularidade do partido é alimentada por uma combinação de nostalgia pelo passado e frustração com questões atuais, como a segurança pública e o envio de ajuda financeira a países como a Ucrânia.

O que propõe o programa do AfD?

O manifesto do partido para a Saxônia-Anhalt traz medidas controversas, como a segregação de crianças refugiadas em classes especiais, sob o argumento de que a estadia desses migrantes na Alemanha deve ser tratada como temporária. A sigla também defende o fim da imigração considerada ilegal ou de origem "culturalmente estrangeira".

No campo social e educacional, o partido manifesta oposição ao uso de bandeiras do movimento LGBT em escolas e defende que o ensino sobre a história alemã foque em aspectos positivos, reduzindo a ênfase no período nazista. O programa também prevê a criação de uma força-tarefa para monitorar e realizar a deportação de migrantes sem direito de permanência no estado.

Segurança e classificações de inteligência

A posição do partido em relação à Rússia também gera debates sobre segurança nacional. O AfD é alvo de questionamentos sobre a confiabilidade de seus representantes em lidar com informações sensíveis, em meio a alegações de proximidade com o governo de Moscou e o uso de campanhas de desinformação.

Atualmente, órgãos de inteligência interna da Alemanha classificam a filial do AfD na Saxônia-Anhalt como extremista, atribuindo-lhe uma ideologia racista e objetivos anticonstitucionais. O partido nega as acusações e afirma que tais designações são difamações politizadas.

Para impedir a ascensão do grupo, outros partidos adotam a estratégia de não realizar coligações com o AfD, prática conhecida como "muralha de proteção". Caso o partido consiga a maioria, ele terá poder para implementar mudanças em áreas como educação, policiamento e cultura, além de ocupar assentos na segunda câmara do governo federal, o Bundesrat.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.